Agora já!

As notícias semanais fazem-nos acreditar que Guimarães está cada vez mais virada para o apoio aos jovens, principalmente, no que diz respeito à procura de emprego ou até à sua criação.

Se por um lado o Instituto Português do Desporto e Juventude escolheu Guimarães para apresentar a 2.º edição do programa “Empreende Já”, por outro lado, vai ter lugar na nossa cidade a maior conferência jovem do país. Não fosse a maior, nós não a queríamos cá!

Por cá o que a realidade nos diz é que os jovens não são ouvidos nas questões que lhes dizem respeito. A responsabilidade da falta de quórum no Conselho Municipal da Juventude é dos jovens? Não!

Ao invés de ser um espaço juvenil e atractivo correspondendo às dinâmicas e interesses das novas gerações é um fórum burocratizado, chato e sem utilidade visível.

Não vemos nos jornais locais grandes títulos a apelar à participação no Conselho Municipal da Juventude, local onde os jovens poderiam reivindicar as suas necessidades, as suas escolhas e até o seu espaço físico na cidade.

Local onde os jovens vimaranenses deveriam deixar o seu contributo para a construção do Orçamento Municipal. Poderiam reivindicar uma zona desportiva que servisse os jovens da União de Freguesias de Oliveira, S. Paio e S. Sebastião e da Freguesia de Azurém, uma exigência antiga das várias associações desportivas que se dedicam a formar os jovens destas freguesias. Ou podiam indicar ao certo qual a melhor zona da cidade para a construção de um parque para skates. Podiam inclusive discutir a dificuldade que sentem nas deslocações diárias entre o local onde vivem até ao local onde estudam ou trabalham.

No CMJ os jovens podiam construir espaços de discussão sobre os temas mais actuais do seu concelho até às questões que os afectam directamente como a falta de qualidade das refeições escolares ou as dependências diversas. Nestes espaços de participação e discussão que a autarquia ainda lhe deve, a juventude, se sentisse que a sua opinião, a sua experiência e a suas propostas eram tidas em conta, seria parte da solução e não apenas a quem se exige tudo “já” e “hoje”.

Aos jovens de hoje, que são acusados de viver ligados às tecnologias e muito pouco ligados às suas raízes e ao desenvolvimento da sua cidade, deveríamos dizer-lhes que o poder político que lhes recusa a participação activa, que lhes cria barreiras à continuação dos estudos porque o valor das propinas é incomportável para o orçamento familiar, que lhes nega a possibilidade de viverem na sua cidade porque as rendas das casas são caríssimas, exige-lhes apenas que façam todo o trabalho que sejam criativos e que formem as suas empresas como se essa fosse a única solução de futuro à espreita.

De facto a mensagem que lhes é passada todos os dias é: “Se não conseguiste empreender falhaste, se falhaste tens um emprego precário à tua espera ‘já hoje’”.

Hoje, como ontem, na CDU, com os jovens, fazemos o caminho da luta, da reivindicação e sobretudo da reflexão crítica para exigirmos melhores condições no presente construindo um futuro para todos.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.