Vigilantes dos Direitos, um desafio de Cidadania

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 10 de dezembro de 1948.

Hoje ouvem-se discursos, vindos das mais diferentes organizações e personalidades, que evocam o Dia dos Direitos Humanos, que se comemora nesta data, num momento particularmente dificil para o mundo.

O dia de hoje serve para nos lembrar que a defesa dos Direitos Humanos não compete só às organizações ou aos governos, ela é uma tarefa e uma obrigação de cada cidadão. É na nossa comunidade que podemos fazer a diferença zelando para que as crianças sejam respeitadas e tenham condições para crescerem num ambiente de amor, segurança e igualdade. É ainda nas nossas comunidades que devemos lutar para que mulheres e homens usufruam dos seus direitos a salários iguais e justos, que lhes permitam orientar a sua vida com autonomia  e dignidade, que livremente exerçam a sua parentalidade com dedicação e não, como lemos por vezes, como se de um peso se tratasse. Lutar pelos direitos das mulheres é lutar pelos direitos dos homens naquilo que a sociedade também lhes tem negado, por preconceito e por tradição. A tradição não tem recusado só às mulheres o acesso a muitas das suas aspirações, ela penaliza também os homens no que há de mais humano, a expressão das suas emoções e da sua sensibilidade.

O dia de hoje também nos deve fazer olhar para além do que nos está mais próximo…

Face ao sentimento de impotencia que nos assalta, quando somos confrontados com a insensatez e prepotencia de muitos governantes, que instigam a violência com discursos de justiça e paz, não esquecendo nunca que por trás desses discursos e dessas decisões se adivinham atropelos e violações graves dos direitos humanos, devemos apelar a todos os recursos de que dispomos para nos insurgirmos e ajudarmos a fazer cumprir a vontade dos povos de  viverem, de facto, num clima de segurança.

O século XXI despertou num clima de medo e angustia perante fundamentalismos que obrigaram a que milhoes de pessoas se vissem privadas das suas casas e da segurança das suas familias e dos seus trabalhos, a que outros deixassem de se sentir seguros nos seus locais de lazer ou de oração.  E, ainda há todos aqueles que, por motivos religiosos ou, pelos seus ideais vivem a perseguição e a injustiça dos sistemas politicos vigentes.

Noutros pontos do paneta, também milhões se arrastam, dolorosamente em dias de privação de tudo o que há de mais elementar, porque a ganância e o individualismo dá a muito poucos a ilusão de que tudo lhes pertence e podem usar, sem a minima consciencia critica sobre os efeitos daquilo que exploram. Enquanto os que têm mais resistência se sujeitam à exploração de quem lhes promete dias melhores, numa Europa envelhecida e sem soluções onde a xenofobia ressurge levantando a sua voz nos mais diversos países.

Por tudo isto, é fundamental uma educação para os direitos humanos e para a paz junto dos mais novos, baseada em evidências e sem discursos moralistas.

Educar para a os direitos humanos é ajudar a pensar, a compreender a complexidade dos factos, a agir de forma concertada e eficaz.

Educar para os direitos humanos é proporcionar oportunidades de aquisição e transmissão de conhecimentos que nos permitem aceitar o outro na sua singularidade e fazermo-nos respeitar do mesmo modo.

Educar para os direitos humanos é apoiar a capacitação dos mais novos e, quantas vezes, por seu intermédio,  das suas familias e pares, para que aprendam a negociar como base para a prevenção de conflitos, a respeitar o diálogo e a saber  alicerça-lo em valores de solidariedade, respeito pela diversidade, liberdade e justiça.

Educar para os direitos humanos é não temer o juizo de terceiros sobre o nosso ativismo, mas antes conquistar cada um e cada uma para esse espaço de cidadania.

E, por fim,  neste Natal que se aproxima, respeitar os direitos humanos é trazer para a nossa mesa quem está só, partilhar o que temos, resistir à tentação de um consumismo exagerado que nos aprisiona e ilude do que é essencial.

Luísa Oliveira, licenciada em Serviço Social , formadora e consultora. Presidente da Cooperativa Desincoop – Desenvolvimento Económico, Social e Cultural, CRL da qual é fundadora, iniciou  a sua intervenção politica como deputada municipal e anos mais tarde como vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.