Assumir responsabilidades

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2017 está a terminar.

E como é típico nestas ocasiões é o tempo de analisar o ano, os seus principais acontecimentos, fazer um balanço do que se passou e projectar o futuro próximo e aquele que se deseja para o ano de 2018.

Ano novo vida nova?

Também.

Mas não há vida nova sem a vida velha ficar encerrada, devidamente escalpelizada e conhecendo-se responsáveis e responsabilidades, méritos e deméritos, por tudo quando se passou no ano que agora termina.

É evidente, porque sempre foi assim, que ao fazer-se o balanço de um ano a avaliação que se faz de tudo quanto sucedeu varia entre os que acham tudo positivo e aqueles que só veêm coisas negativas e factos a lamentar.

Provavelmente aqui, como em tantas outras áreas, a virtude estará no meio termo!

Naqueles que veêm de forma equilibrada e sensata o bom e o mau, sabem distinguir as coisas e não fazem avaliações com base na propaganda a favor ou na cerrada maledicência do contra sistemático.

Não faço parte daqueles que por propaganda, insensibilidade e momentâneo aproveitamento de factos positivos acham que 2017 foi um “ano saboroso” (sic) mas também não alinho no diapasão dos que entendem que à boleia de tragédias tudo foi negativo e nada se aproveitou do ano que agora termina.

Há um meio termo.

E por isso opto neste texto por referir três áreas nas quais é importante que em 2018 se assumam as responsabilidades pelo sucedido em 2017 (e até antes…) de molde a que as decisões do próximo ano sejam, nos casos que tem de ser, o mais perfeitas possível.

Refiro-em a vários acontecimentos do ano que agora termina, ao Vitória e ao PSD.

O ano de 2017, que teve na área governamental vários aspectos positivos que deverão ser ponderados no tempo certo, fica também marcado por um conjunto de infaustos acontecimentos pelos quais em 2018 devem ser assumidas as responsabilidades que ainda não o foram (e são bastantes…) de molde a que a culpa não morra solteira.

Os  trágicos incêndios de Pedrogão em Junho e depois os de Outubro, o roubo de armas em Tancos, o surto de legionela, a trapalhada do Infarmed, o tráfico de crianças ao abrigo de uma seita religiosa e agora o “caso Raríssimas” e respectivos danos colaterais são, entre outros, assuntos demasiado graves para que sobre eles caia uma cortina de silêncio como por vezes parece ser intenção dos membros do governo, dos partidos que no parlamento o apoiam e dos comentadores televisivos afectos ao PS.

Há que assumir responsabilidades.

Doa a quem doer.

No Vitória 2018 é ano de eleições.

Nas quais será avaliado não apenas o ano de 2017 mas o triénio em que a actual direcção/administração exerceu funções e necessariamente serão examinadas as decisões, opções e estratégias tomadas durante o mandato em todas as áreas da vida do clube.

Na desportiva (futebol e modalidades), na financeira, no posicionamento perante outras entidades, no relacionamento com os associados, no marketing, no património.

Num momento em que existe uma clara divisão entre os que apoiam os actuais orgãos sociais, e os que não os apoiam e entendem ser necessária a mudança bem como os que já apoiaram mas entendem que o ciclo acabou, 2018 será o tempo de assumpção de responsabilidades por parte dos associados do clube num cenário de mais que previsível disputa eleitoral.

Em que os derrotados serão apenas aqueles que ficando em casa não assumirão as suas responsabilidades de vitorianos.

No PSD, já a 13 de Janeiro, será tempo de escolher um novo líder.

Uma responsabilidade a que não fugiram mais de setenta mil militantes do partido que pagaram as respectivas cotas esperando-se agora que na sua esmagadora maioria acorram às urnas para manifestarem a sua opção.

Há dois candidatos, duas formas de estar na política, dois percursos de vida, dois programas, duas formas de entendimento quanto ao que é servir e estar no PSD.

Também dois entendimentos distintos quanto a acordos com adversários politicos do PSD.

Seja em termos de coligações pós eleitorais seja quanto à solidariedade (ou falta dela num dos casos) com companheiros do partido envolvidos em disputas autárquicas.

A 13 de Janeiro será tempo de cada militante assumir a sua responsabilidade.

Pedro Santana Lopes e Rui Rio já assumiram as suas.

Agora os militantes terão a palavra.

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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