UM NOVO ANO

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O final de um ano e o inicio de outro trazem sempre a oportunidade de se fazer um balanço em relação ao terminado e alinhavar algumas expectativas e desejos quanto ao que se inicia na esperança de que uma boa parte delas se cumpra.

No texto de hoje vou procurar não fugir muito a esse velho hábito mas vou centra-lo num tema que vai ocupar boa parte da atenção dos vitorianos e vimaranenses neste início de 2018  e que são as eleições no Vitória.

Devo dizer, desde já ,que eleições no clube são algo que tem mais de trinta anos e portanto nem constituem novidade nem são facto que não deva ser encarado com a naturalidade própria numa instituição que se rege por princípios e valores democráticos e de participação.

Desde o inicio dos anos oitenta, quando os primos António e Armindo Pimenta Machado se defrontaram numas disputadas eleições, que diversos presidente do clube tem sido eleitos e reeleitos em actos eleitorais em que os associados tiveram a possibilidade de escolher entre pelo menos duas listas.

António Pimenta Machado viria a vencer eleições com Eduardo Fernandes e posteriormente José Arantes, Vítor Magalhães seria eleito em compita com Manuel Almeida,  Emílio Macedo da Silva venceria Manuel Rodrigues e André Guimarães Pereira na primeira eleição e seria reeleito face a Pinto Brasil e Júlio Mendes foi eleito vencendo o mesmo Pinto Brasil sendo posteriormente reeleito sem oposição.

Nuns casos a eleição/reeleição correspondeu a uma satisfação maioritária face ao presidente em exercício e noutros, quando não se tratava de recandidaturas ( Magalhães, Macedo e Mendes), foi uma opção pelo candidato/lista/programa que pareceu mais adequado a uma maioria dos votantes.

Tudo normal num clube que felizmente sempre teve uma vivência associativa muito forte.

Com a curiosidade , que não passa disso mesmo, de um presidente em funções e recandidato ao cargo nunca ter sido derrotado por candidato ou candidatos que se lhe opunham mesmo no caso de Emílio Macedo da Silva que foi contestado praticamente desde o primeiro dia do seu mandato presidencial.

A verdade é que ele e a sua equipa ganharam as eleições com alguma tranquilidade mesmo quando era patente que o caminho seguido estava longe de ser aquele que mais interessava ao clube como o futuro veio tristemente a comprovar.

Creio que tal se deveu a algum conservadorismo dos associados do Vitória (não no sentido político do termo como é evidente) que sempre demonstraram preferir quem já conheciam, mesmo que a fazer mandatos decepcionantes, do que dar uma oportunidade a quem não conheciam por receio de que a mudança pudesse resultar pior do que a continuidade.

O que aqui e ali nos saiu literalmente bem caro como é sabido.

Sendo uma constatação do que até hoje se passou entendo que mesmo assim não passa de uma curiosidade, a qualquer momento passível de ser contraditada, sem qualquer força de lei ou obrigatoriedade de repetição.

Em Março de 2018 o Vitória terá eleições.

No momento em que escrevo esta pequena reflexão não existe ainda uma definição do quadro eleitoral sabendo-se apenas que a recandidatura de Júlio Mendes é dada como certa sendo bastante provável que apareçam alguns nomes novos no elenco a apresentar aos sócios e simultaneamente dele desapareçam alguns dos que o acompanham desde 2012.

O que também tem de ser considerado como normal.

A novidade estará na certeza da existência de pelo menos uma (mas pode haver mais…)lista que vai (vão?) disputar as eleições com a lista do actual presidente e recandidato.

O que face à tradição associativa do clube também tem de ser encarado como perfeitamente normal e obviamente desejável por permitir aos associados a possibilidade de escolherem entre duas  (ou mais…) listas e não ficarem cingidos à sempre redutora lista única num tempo em que as razões para consensos em volta dos actuais orgãos sociais são praticamente inexistentes.

E por isso em Março de 2018 os associados do Vitória terão de fazer a sua opção de voto com base na avaliação (o tal balanço) do que foi a gestão dos actuais orgãos sociais desde 2012 até agora complementada pela avaliação qualitativa das listas que lhes vão ser apresentadas ,quer nos nomes que as compõe quer nos respectivos programas eleitorais, e pela convicção que estas sejam capazes de lhes transmitir quanto à materialização dos sonhos que de há muito existem na família vitoriana.

Assuntos este, as eleições no Vitória, a que seguramente voltarei!

P.S. Muitas e muitos vitorianos me têm perguntado, pelos mais diversos meios, qual é a minha posição quanto a este acto eleitoral.

Como disse um amigo meu, noutro contexto, “keep cool”…”keep cool”…

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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