Continuar a celebrar 2012

No início desta semana o Facebook “lembrou-me” que escrevi há um ano um artigo a que chamei “O Gangue de Guimarães 5 anos depois”. Fez esta semana um ano daquele artigo e seis do momento que o mesmo pretendia recuperar: a abertura da Capital Europeia da Cultura 2012, em Guimarães.

Pretendia naquela data lembrar o espetáculo de abertura, que envolveu vimaranenses e artistas internacionais. Que trouxe memória, criação, inovação e envolvimento como principais ingredientes. Marcas daquele momento mas, essencialmente, da CEC.

Um ano volvido, e a um ano de podermos celebrar 10 sobre o anúncio da designação de Guimarães, pelo Governo Português, como a cidade que receberia este evento, continuamos a ter mais motivos para celebrar.

Uma celebração que não se fica pela recordação estática e saudosista, mas que a cada ano que passo tem novos motivos para celebrar a Cidade Europeia de Cultura que Guimarães se tornou e a que, continuamente, acrescenta novas dimensões.

Se há um ano destacava a dinâmica trazida por João Pedro Vaz ao Teatro Oficina e à criação do Gangue de Guimarães, hoje a cidade já conheceu o “Auto das Máscaras”, envolvendo entidades locais num espetáculo que deu a conhecer a Sala das Máscaras do CIAJG a centenas de visitantes, e lança novas pontes nas oficinas de teatro descentralizadas.

Se há um ano falava na afirmação de Guimarães como terceira Capital Europeia da Cultura, hoje o próprio Governo reconheceu esta importância ao dotar o Centro Internacional das Artes José de Guimarães de financiamento do Estado Central.

Se há um ano destacava o Westway Lab e o trabalho de Rui Torrinha na capacidade de colocar Guimarães no mapa europeu da circulação da criação própria, trazendo também à nossa cidade valores emergentes de outros países europeus, tive a semana passada oportunidade de no Eurosonic percecionar o destaque que aquele evento já tem nos centros de decisão da música a nível europeu.

Se há um ano era evidente o crescimento da nova cena musical vimaranense, quer ao nível das bandas e talentos emergentes, quer ao nível do aparecimento de festivais urbanos de programação por diversas entidades diferentes, hoje o Café Concerto do CCVF recebeu o “Som de Guimarães” – um ciclo onde passaram 9 nomes vimaranenses em concertos que rivalizam com programação de outros talentos do passado -, o São Mamede está de volta à programação regular e os festivais “Mucho Flow” (da Revolve, apoiado pelo RMECARH) e “L’Agosto” (da Elephante MUSIK em parceria com o Município) foram nomeados para melhores festivais do ano a nível europeu e ibérico, respetivamente.

Se há um ano havia motivos para continuar a celebrar 2012, seis anos depois os motivos não param de crescer. E é neste permanente desafio de superação que reside o segredo do sucesso da cultura vimaranense. Uma superação permanente da Câmara, Oficina, Associações, Particulares, Artistas, Promotores, Produtores, Editores, Agentes e Público.

Que daqui a um ano volte a ter motivo para escrever de novas celebrações da data.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.