Racismo, homofobia e misoginia: chega!

Em agosto do ano passado dediquei uma crónica neste espaço à declaração de Graça Fonseca que se assumia homossexual. Hoje, passado meio ano, volta a ser notícia um dirigente político que em entrevista afirmou a sua orientação sexual.

Adolfo Mesquita Nunes, com quem dificilmente estarei de acordo politicamente sobre a maioria das matérias, teve a a coragem (sim, ainda é preciso coragem!) para dizer que quando lhe chamam ‘gay’ não estão a mentir ou insultar. E mais coragem tem dada a força política que representa. Se há inimigo deste combate pela igualdade é o conservadorismo que grande parte do partido de Mesquita Nunes representa.

Na mesma semana em Guimarães um jogador Costa Marfinense do Vitória foi notícia por ser alvo de comentários racistas. Não porque tenha jogado mal, mas por a sua pele ser negra, e isso ser motivo para alguém achar que ele tem mais culpa que os outros por um resultado negativo.

São dois exemplos de duas minorias que, ora por raça, ora por orientação sexual, têm um conjunto de barreiras acrescidas na sua vida, colocadas pelos demais.

A juntar a estes dois exemplos estão as múltiplas e contínuas denúncias de abusos e assédio, maioritariamente contra mulheres e, em especial, em profissões mais mediáticas como o cinema e a televisão. Casos de abuso de poder e de objetificação da mulher.

Momentos como este devem fazer-nos refletir sobre a sociedade que temos e questionarmos se ela já evolui tanto como achamos ou poderia. E mais do que refletir ou questionar deve fazer-nos agir. Não nos calemos e mudemos também de atitude.

O respeito pelo próximo independentemente de género, raça, crença ou orientação sexual depende (e muito!) da nossa capacidade de não nos calarmos ou sermos coniventes.

Esta ação passa por aproveitarmos cada espaço que temos para não calar estas discriminações, mas também por não nos calarmos no dia-a-dia. Na raça como insulto ou na orientação sexual como piada. Porque todos sabemos que somos cúmplices da exclusão por ação ou inação.

Nunca nos esqueçamos: O Konan ainda é insultado em 2018 porque nós ainda não paramos de deixar passar aquela piada racista. Chega!

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.