Feira Afonsina: O Tratado de Zamora ou a jogada decisiva para um Portugal independente

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A assinalar os momentos marcantes da história e da identidade nacional há oito edições, a Feira Afonsina 2018 é dedicada ao Tratado de Zamora, que a 05 de outubro de 1143 estabeleceu Portugal como um país independente e D. Afonso Henriques o seu rei. O evento decorre entre os dias 21 e 24 de junho e estão agendados vários espetáculos, momentos de recriação histórica e atividades.

No âmbito de uma cooperação integrada, uma vez mais, a Câmara Municipal de Guimarães envolve as associações locais na realização deste evento, com destaque para a participação de 150 voluntários. As áreas temáticas serão distribuídas pela zona histórica da cidade: o Arraial (Colina Sagrada), O Jardim dos Infantes (Largo Martins Sarmento), Largo do Oculto (Largo dos Laranjais), Praça de Mercar (Largo Cónego José Maria Gomes), Quelho das Desgraças (Rua João Lopes de Faria), Largo dos Duques (Largo da Misericórdia) e Estalagem Ti-Berna (Largo Condessa do Juncal).

A Feira Afonsina contempla espetáculos, momentos de recriação histórica, atividades para o público, áreas temáticas e ainda o Torneio (às 22h00 de quinta-feira, sexta-feira e sábado). O horário do evento no primeiro dia, quinta-feira, 21 de junho é das 18h00 às 01h00. Na sexta-feira e sábado a Feira está aberta das 11h00 às 01h00 e no domingo das 11h00 às 22h00.

Contextualização histórica (via Ensina RTP, inclui vídeo)

Nos dias 4 e 5 de outubro de 1143 teve lugar na cidade de Zamora uma cimeira que reuniu Afonso VII, rei da Galiza, Castela e Leão, e o seu primo Afonso Henriques, Conde de Portucale. O encontro destinou-se a resolver os conflitos que se arrastavam há algum tempo entre as duas partes. Estavam em causa as ações de D. Afonso Henriques, que se intitulava “rei” e aproveitava a instabilidade política para alargar os seus territórios, fazendo inclusivamente incursões militares na Galiza.

A ameaça de uma guerra iminente na parte ocidental da Península Ibérica levou à intervenção do então o cardeal Guido de Vico, em representação do Papa, e foi ele que conseguiu resolver a disputa de forma pacífica. Nos termos do acordo assinado em Zamora, no dia 5, Afonso VII reconheceu a D. Afonso Henriques o título de rei mas este, em troca, declarou-se seu vassalo, enquanto imperador da Hispânia.

Afonso Henriques possuía duas qualidades fundamentais para atingir o sucesso político no contexto da época: era um excelente líder militar e possuía grande habilidade diplomática. É evidente que o sucesso da emancipação de Portugal, como reino independente, dependia das circunstâncias e das conjunturas, mas D. Afonso Henriques e os seus conselheiros souberam aproveitá-las com máximo proveito.

Em primeiro lugar, o sucesso da guerra contra os muçulmanos era essencial; foi por isso que a batalha de Ourique, ocorrida alguns anos antes, foi um marco decisivo. Afonso VII podia ser imperador, mas D. Afonso Henriques era a vanguarda da guerra contra o Islão, o que lhe concedia sucesso e prestígio. Por outro lado, D. Afonso sabia escolher os momentos exatos para fazer a paz e a guerra ao rei de Leão, manobrando de forma hábil para obter o maior proveito.

Em Zamora, Afonso VII ter-se-á rendido à evidência de que era conveniente ceder e resolver o conflito de imediato, pensando talvez que mais tarde a situação pudesse ser revertida a seu favor.

O Tratado de Zamora é uma data da maior importância para a identidade nacional de Portugal, uma vez que assinala um momento decisivo da sua emancipação de Castela e da sua formação como país independente.

De facto, é muito comum ser assinalado como a data do nascimento de Portugal. Há, no entanto, que enquadrá-la no contexto da época. Na realidade, o reconhecimento do título de “rei” a D. Afonso Henriques não significava exatamente “independência”, porque esse reconhecimento podia ser revertido e anulado, caso fosse oportuno. D. Afonso Henriques sabia que este primeiro passo era frágil e que a sua consolidação passava pelo reconhecimento das instâncias internacionais daquela época, ou seja, da Santa Sé.

Foi por isso que se declarou imediatamente vassalo do papa. O reconhecimento demorou várias décadas e só deu frutos em 1179, com a emissão da bula Manifestis Probatum. Pode, portanto, dizer-se que só nesta altura é que a independência de Portugal ficou verdadeiramente consolidada.

PROGRAMA FEIRA AFONSINA 2018:

Quinta-feira, 21

18h00
Visita ao acampamento dos arqueiros – Atividades para o público
Colina Sagrada

19h00
Na pele de um guerreiro – Atividades para o público
Colina Sagrada

19h30
O Tratado de Zamora – Momento de recriação histórica
Paço dos Duques de Bragança

20h30
Jantar no Arraial – Atividades para o público
Colina Sagrada

22h00
O Torneio – Momento de recriação histórica
Jardim lateral do Paço dos Duques de Bragança

Sexta-feira, 22

11h00 / 15h00 / 17h00 / 19h30
O Tratado de Zamora – Momento de recriação histórica
Paço dos Duques de Bragança

13h00 / 20h30
Almoço/Jantar no Arraial – Atividades para o público
Colina Sagrada

15h00 / 18h00
Visita ao acampamento dos arqueiros – Atividades para o público
Colina Sagrada

16h00 / 19h00
Na pele de um guerreiro – Atividades para o público
Colina Sagrada

22h00
O Torneio – Momento de recriação histórica
Jardim lateral do Paço dos Duques de Bragança

Sábado, 23

11h00 / 15h00 / 17h00 / 19h30
O Tratado de Zamora – Momento de recriação histórica
Paço dos Duques de Bragança

13h00 / 20h30
Almoço/Jantar no Arraial – Atividades para o público
Colina Sagrada

15h00 / 18h00
Visita ao acampamento dos arqueiros – Atividades para o público
Colina Sagrada

16h00 / 19h00
Na pele de um guerreiro – Atividades para o público
Colina Sagrada

22h00
O Torneio – Momento de recriação histórica
Jardim lateral do Paço dos Duques de Bragança

Domingo, 24

11h00 / 15h00 / 17h00
O Tratado de Zamora – Momento de recriação histórica
Paço dos Duques de Bragança

13h00 / 20h30
Almoço/Jantar no Arraial – Atividades para o público
Colina Sagrada

15h00 / 18h00
Visita ao acampamento dos arqueiros – Atividades para o público
Colina Sagrada

16h00 / 19h00
Na pele de um guerreiro – Atividades para o público
Colina Sagrada

21h30
Folguedo Final
Rua Conde D. Henrique (junto à estátua de D. Afonso Henriques, na Colina Sagrada) – Largo da Oliveira