22 de Junho de 2018

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Para a União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião o dia 22 de Junho é um dia de celebração. O dia em que comemoramos a elevação da vila de Guimarães à categoria de Cidade, este ano já o centésimo sexagésimo quinto aniversário.

A Rainha D. Maria II que em 1853 atribuiu o título de cidade a Guimarães é homenageada no programa das festas de 2018. Em 1853 já se vivia o movimento que associamos hoje às cidades e Guimarães mereceu este reconhecimento de elevação do antigo burgo a Cidade sobretudo pelo valor da terra e pela maneira calorosa como os vimaranenses receberam a rainha aquando da sua visita, em Maio de 1852.

A história já todos conhecemos e para a história fica também que no dia da União se presta homenagem à Dr. Maria Adelaide Pereira de Moraes pelo reconhecido trabalho e estudo que podemos encontrar nas suas obras de grande interesse, de rigor e riqueza de linguagem. Mais do que dar-nos a conhecer a genealogia das diversas famílias que estudou, leva-nos mais longe, até aos cenários onde as suas vidas se desenrolaram, tornando a sua leitura em momentos de prazer.

Falamos de duas mulheres, a rainha D. Maria II que soube reconhecer o valor de Guimarães e a Dr. Maria Adelaide Pereira Moraes que se dedicou ao estudo do passado de Guimarães e dos vimaranenses partilhando com as gerações vindouras os seus conhecimentos.

Saúdam-se ambas as decisões que revelam, de quem as toma, que se encontra no seu tempo. No tempo em que o mérito das mulheres deve e pode ser reconhecido sem que este acto seja visto como uma acto revolucionário mas como aquilo que é o de reconhecimento do mérito, da competência e do envolvimento na comunidade vimaranense nas diversas áreas.

A reflexão que a CDU escolhe para o dia de hoje, dia de comemoração, é a de celebrar a vida de todas as gerações de vimaranenses. Celebrar Guimarães como uma cidade para Todos, que oferece berçários e infantários para todas as crianças, que oferece um edificado escolar em condições de qualidade semelhantes para todos os alunos, que permite que as crianças brinquem soltas e livres nas praças e pracetas das freguesias da cidade.

Pedimos emprestadas a Ary dos Santos as palavras certas para falar delas.

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

Ary dos Santos pinta a traços largos, neste poema, um tempo que precisamos de recuperar nos seus aspectos positivos, de ternura de alegria intrínseca à condição de criança e de continuar a denunciar nos seus conteúdos gravosos. Poema que não consegue expressar a dor, a angústia, a raiva que nos fica presa nos dentes ao vermos a imagem de um menino morto nas águas do Mediterrâneo ou enjaulado nas terras da dita Democracia Norte Americana.

Por cá, na cidade, também há muito a conquistar. Os direitos das crianças são garantidos pelo seu núcleo familiar, mas têm de o ser, em primeiro lugar, pela sociedade. Sociedade que não pode reter os seus pais mais do que 35 horas semanais no trabalho, porque pouco tempo fica para as crianças. Sociedade que não pode insistir no trabalho precário, devendo antes garantir a estabilidade para que se possa dar habitação, alimentação, educação, conhecimento, cultura e direitos às crianças.

Dos idosos às crianças, dos que pela avançada ou tenra idade necessitam que os protejam e que merecem que se construa uma cidade para Todos.

Por cá, não basta trabalhar para títulos, por cá é necessário e urgente trabalhar para as pessoas, trabalhar para a protecção de quem não tem a capacidade de se proteger, trabalhar para a construção de projectos que sejam capazes de eliminar desigualdades e pobreza.

Hoje é dia de festa e por isso, as minhas últimas palavras vão para todos aqueles que esforçaram na construção das actividades, em conjunto com as diversas associações, que têm como finalidade envolver Todos os que por cá vivem, trabalham ou apenas passam as horas de lazer dos seus dias.

Para os vencedores destas actividades, que hoje vieram receber os seus prémios, os nossos sinceros parabéns!

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.