O Dia de… Vale Tudo

Ao longo dos anos, no chamado “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades”, os diversos presidentes da República condecoram, mais a torto que a direito, diversas personagens da vida pública que, por várias vezes, se descobria serem gente de má índole.

Cruzes, torres, espadas, comendas e medalhas disto e daquilo, tudo serve para agradar aos amigos da roda corporativista, que começa a cair no ridículo.

Guimarães, um concelho carregado de história, escolheu para feriado municipal, o dia 24 de Junho, considerado por alguns, o “Dia Um de Portugal”, não foge à tentação das medalhas, com atribuições sempre discutíveis e às inaugurações com placas designativas de quem mandou construir, mas não de quem a construiu.

Aconteceu este ano, creio que pela primeira vez, uma freguesia decidiu condecorar pessoas e instituições, caindo no ridículo de atribuir uma medalha, a uma funcionária da junta da freguesia, porque completou quinze anos de trabalho.

No entanto, a discussão que se cria, ano após ano, gira à volta de se considerar a batalha de S. Mamede, como o verdadeiro Dia de Portugal.

Para início de análise, coloquemos algumas questões que qualquer vimaranense, minimamente atento colocaria:

Quando se criou o feriado municipal?

Em que critério se basearam para escolher o actual dia?

Escolhendo este dia, reduziram a importância daquela batalha, a um nível concelhio, com nítido desinteresse, por parte dos agentes políticos, em dar-lhe uma importância nacional.

Durante o dia de ontem, fui perguntando a algumas pessoas, sobre o que se estava a passar na nossa cidade e ninguém sabia da sessão solene, nem que o governo central esteve representado através de um ministro. As referências que tinham eram Feira Afonsina e inaugurações.

A própria Feira Afonsina, a exemplo das “medievais” que se vão realizando por esse país fora, mesmo em sítios que nem existiam, naquela época, tenderá a retirar importância aos argumentos de que, o dia de Portugal é o dia 24 de Junho, uma vez que é feriado municipal.

Se há uma vontade, por parte do município, em tornar aquela data como o primeiro dia de Portugal, o melhor a fazer é dar os passos certos e na direcção certa. Investigar a data da criação do município e, em consequência, alterar o feriado municipal.

Considerar o 24 de Junho como Dia de Portugal, com as cerimónias comemorativas sempre em Guimarães, na qualidade de berço da nacionalidade.

O dia da língua e comunidades poder-se-ia comemorar, na época em que, emigrantes e seus descendentes visitam o seu país.

Querer ter tudo no mesmo sítio e no mesmo dia, faz com que muita coisa fique na sombra do esquecimento ou da ignorância.

Nota Final – Hoje comemora-se o dia da independência de Moçambique, um país que, tal como toda a África, foi ocupado durante séculos, com as consequências que perduram há tempo demais..

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.