Ora vamos lá ver…?

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A CDU de Guimarães publicou na última semana um artigo de opinião – quer no seu site, quer num jornal local – a que deu o nome de “Ora vamos lá ver…”. Este artigo dizia respeito a uma moção à Assembleia Municipal de Guimarães, de solidariedade com os artistas, em sequência da polémica gerada em torno dos Apoios sustentados às artes para o triénio 2018-2021.

Aproveitando o título, ora vamos lá ver…

O artigo comete algumas imprecisões e outros erros grosseiros. Se é verdade que o PS votou contra a moção apresentada pela CDU na última Assembleia Municipal, a justificação que eu próprio, enquanto líder da bancada, tive oportunidade de proferir como declaração de voto é em tudo diferente da justificação que nos é atribuída.

Nem a justificação foi de que vem tarde, nem foi dito que as verbas atribuídas pelo Ministério da Cultura foram superiores em Guimarães. Aquilo que foi dito, e que corresponde em tudo à verdade, é que a dotação de verbas para as estruturas de programação e criação artística de todo o país são muito superiores às do mandato de Pedro Passos Coelho. Razão pela qual, se questionava se não teria sido mais lógico apresentar uma moção deste teor, no tempo em que os apoios à cultura conheceram os seus mínimos olímpicos.

Naturalmente que este é um dos dossiers (tal como a questão dos professores) em que o PCP pegou para começar a acossar o Governo que apoia, mas do qual, por questões meramente estratégicas de pré-campanha legislativa para 2019, precisa de começar a distanciar-se.

Acrescentar a esta justificação uma suposta ausência dos atores políticos vimaranenses em matéria de apoio às artes revela também um desconhecimento profundo da realidade.

No passado dia 23 de junho, o jornal “Público” deu a conhecer um artigo assinado por 8 diretores de estruturas de criação portuguesas, nas quais se inclui a Oficina, em que era tornado público um documento que foi entregue ao Ministério da Cultura em sede de discussão do modelo dos Apoios Sustentados.

Em Guimarães, a reflexão sobre o setor cultural e os apoios às artes não se resume a solidariedades depois do facto consumado.  Em Guimarães existe um pensamento estruturado sobre esta e outras problemáticas de um setor em que há muito o nosso território dá cartas.

Aquele artigo de opinião não acaba sem antes chamar à Deputada do PCP, Carla Cruz, os méritos do apoio de 300 mil euros dado ao CIAJG. Ora vamos lá ver…

O apoio dado ao CIAJG em nada está relacionado com os apoios da DGArtes. Logo, fazer um paralelo entre o maior apoio deste governo às estruturas de criação, em comparação com o de Pedro Passos Coelho, e o apoio à Plataforma das Artes, revela desconhecimento.

Mas revela mais do que isso. Cabe na cabeça de alguém que uma verba transferida em função de uma conversação entre Governo, Autarquia e Oficina, resultante de uma candidatura e de um projeto para dotar o CIAJG de outra capacidade ao nível da comunicação, programação e serviço educativo, tenha conhecido a luz do dia por uma pergunta numa comissão de uma deputada do PCP? Claro que não. Mas tenho a certeza que quem escreveu aquele artigo também sabe isso.

Em suma, felizmente em Guimarães houve quem trabalhasse para que a Oficina fosse uma das estruturas mais apoiadas pela DGArtes, e que o CIAJG tivesse finalmente um reconhecimento da sua importância por parte do Governo. Só que nenhuma dessas pessoas mora na coligação que escreve o artigo a que aqui me refiro.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.