À sombra do Castelo

Os meses de Verão são os mais procurados para as férias “grandes” dos portugueses. As crianças e jovens estão de férias da escola, quem pode reúne a família, procura tempo de qualidade, aproveita para conhecer outras paragens.

Viajar cá dentro e lá fora é dos melhores momentos que a vida nos oferece. Conhecer novas culturas, tradições, línguas e formas de estar completamente diferentes, ajuda-nos não só a crescer enquanto seres humanos como também nos torna mais tolerantes à diferença.

Viajar cá dentro, por Portugal, permite contactar realidades muito distintas umas das outras. Portugal não é um país muito grande e, à primeira vista, as diferenças não são substanciais, mas quando nos fazemos à estrada somos confrontados com um país muito rico e belo.

Do verde do Minho ao amarelo do Alentejo. Das águas frias do mar do Norte às águas mais quentes das praias do Sul. Muitas são as diferenças de um só povo que fala uma só língua enriquecendo-a com os diversos sotaques.

No entanto, apesar do turismo em Portugal estar a crescer, e a contribuir para o crescimento da economia, faltam as opções políticas que aproveitem todo o potencial que a área do turismo coloca.

Em Guimarães percebemos, pelas notícias dos jornais, que o turismo vai crescendo, pouco a pouco, com os números do primeiro semestre de 2018 a seguir e a confirmar o crescimento de 2017. Prevê-se mesmo um aumento em 2018. Passo a passo, porque também nesta área o caminho faz-se caminhando.

O problema é que é também sem grandes entusiasmos e sem grandes apostas por parte do poder político.

Estamos perto do Porto e, por isso, os turistas que ali se deslocam, aproveitam e passam em Guimarães, numa visita rápida pelo Centro Histórico, que é Património Mundial desde 2001. Uma visita rápida ao Monte Latito onde visitam o Castelo e os Paços dos Duques de Bragança que, qual galinha dos ovos de ouro, continuam no topo das escolhas de quem visita a cidade. Comem um gelado rápido, sem tempo para se passear lentamente pelo comércio local ou sequer para se sentarem nas muitas esplanadas das encantadoras praças.

O turismo em Guimarães vive, ainda hoje, à sombra do Castelo. Percebemos que depois da marca Guimarães – Património da Humanidade, outros municípios já foram capazes de a ultrapassar e de “venderem” os seus territórios muito melhor do que os territórios vimaranenses.

Numa avaliação rápida, que permite um artigo de opinião, posso até observar que a aposta no turismo estagnou e isso vê-se no sítio renovado da Câmara Municipal de Guimarães. O espaço dedicado aos monumentos não tem qualquer fotografia, uma só que seja, apelativa para os novos turistas que recorrem ao mundo digital possam optar por “comprar” a nossa região.

Nos guias turísticos que podemos consultar de forma prática, a partir dos equipamentos electrónicos, não há qualquer referência a uma das riquezas do nosso concelho, a sua gastronomia, por exemplo, às Tortas de Guimarães, ao Toucinho do Céu ou até aos Rojões à moda do Minho.

No que se refere aos acessos a pontos de interesse, que vão mais além do centro histórico, não há grandes opções. Fazem referência à ferrovia, à ligação de carro e aos parques onde se podem estacionar os automóveis ou os autocarros turísticos. Se os turistas que vêm do Porto de comboio, quiserem ir a S. Torcato, às Taipas ou a Briteiros não têm qualquer informação de como o poderão fazer.

E o que dizer dos parques verdes, principalmente do Parque da Montanha da Penha que oferece a possibilidade de os turistas fazerem campismo, mas que não é devidamente promovido, não sendo aposta do desenvolvimento de outras possibilidades turísticas, desde logo porque continua sem ter a possibilidade de se utilizar no inverno.

O caminho é longo e a passos pequenos. Mas não se entende a falta de aposta económica em eventos como feiras do livro, de artesanato, rotas de gastronomia, turismo industrial.

Tantas e tantas possibilidades que o concelho de Guimarães poderia aproveitar, mas parece que, a aposta municipal é para 2030. Até lá continuamos deitados à sombra do Castelo. Se houver sol.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.