Foi bonita a Festa… da Música Erudita

Decorreu no último fim-de-semana o Guimarães Allegro – Festa da Música Erudita. Uma iniciativa de três dias que junta a promoção e divulgação da música erudita, com o usufruto do património, alavancado por artistas de renome internacional e associações locais.

Esta iniciativa, na linha de várias outras que o Município de Guimarães promove ao longo do ano, assenta, antes de mais, num patamar de exigência do ponto de vista artístico.

A condução de David Bruchez da Orquestra de Guimarães – com formação completa num momento, e com um decateto de metais num outro – deixou convencidas as mais de meio milhar de pessoas que tiveram oportunidade de usufruir desta sinergia, assim como o magnífico concerto a solo do violoncelista Pavel Gomziakov no átrio da Câmara Municipal de Guimarães.

Esta dinâmica de exigência na construção do cartaz, permite que uma porta se abra às associações locais e às estruturas amadoras. Não na sua glorificação ou cristalização, mas na capacidade de a fazer conviver com grandes nomes, como os anteriormente mencionados, proporcionando um contágio e um processo de aprendizagem que deixa valor no território.

À qualidade do cartaz, juntou-se a diversidade e a sensibilização para uma sonoridade que, desde a sua origem, enferma de uma ideia de elitismo que pode (e deve) ser desmistificado. Quem teve oportunidade de assistir à festa da Fanfarra Kaustika em todo o centro histórico no sábado à noite, ou à atuação das bandas filarmónicas no sábado de manhã, sabe que assim foi. Não sendo atuações fielmente enquadradas na música erudita, são boas portas de entrada para ouvidos mais desatentos.

Por fim, o património e o espaço público. Numa senda de artigos e opiniões sobre a utilização do espaço público e os espetáculos que nele acontecem, provocados por um ou dois eventos que se seguiram a um período de demasiados meses de inverno em que se clamava por iniciativas, tenho a certeza que poucos serão os que retomarão o tema para comentar o que foi o Guimarães Allegro.

Para mim, foi o casamento perfeito entre a arte e o património. Entre uma programação cuidada e um edificado de excelência. Entre o cumprimento de objetivos estratégicos acima mencionados, com a animação de praças e espaços onde tantos cumpriam os seus tempos de lazer, em casa ou em visita a esta magnífica cidade. Entre espetáculos absolutamente marcantes, e momentos espontâneos a convidar ao questionamento do sítio e da sonoridade.

Foi a Festa da Música Erudita no Património da Humanidade. Poucos escreverão sobre ela, mas foram milhares os que dela usufruíram. Ganha a Cidade.