A urgência das Urgências

Foi votada na última sessão da Assembleia Municipal de Guimarães o financiamento por parte da Câmara Municipal da requalificação do Serviço de Urgências do Hospital Senhora da Oliveira. Todos os partidos votaram favoravelmente à solução apresentada para que finalmente se realizem as obras tão necessárias.

Obras que, apesar das promessas feitas por sucessivos governos, eram sempre arrastadas para depois. Apesar de várias vezes incluída no extinto PIDDAC e de, posteriormente, esta requalificação constar em vários Orçamentos do Estado, nada aconteceu durante 12 anos.

No entanto, basta recorrer àquele serviço essencial para as populações, para se perceber a desadequação e a exiguidade das instalações. Isto é consensual.

Os vimaranenses, os utentes, os heróis desta história, foram sempre exigindo as obras do serviço de urgência, constantemente prometidas, e reclamando melhores condições de trabalho para médicos e enfermeiros, maior conforto e eficiência no atendimento dos utentes.

Note-se que para além da população que vive no concelho de Guimarães, este hospital dá resposta às populações de outros concelhos, como, Fafe, Cabeceiras de Basto, Vizela e Mondim de Basto.

Movidos pelo cansaço, pela revolta,  pelas constantes notícias na demora no atendimento nas urgências, a população de Guimarães promoveu e subscreveu uma petição que reuniu 4660 assinaturas. A petição pretendeu “Defender o Hospital de Guimarães e todos os seus serviços e exigir condições dignas de atendimento na urgência”, e, para além da reabilitação do serviço de urgências, serviu também para chamar a atenção da falta de profissionais.

Todos os dias ouvimos nas televisões o grande amor que todos demonstram ter pelo SNS (Serviço Nacional de Saúde), relembram a importância do SNS português e das suas conquistas, mas sem investimento do Estado, estas palavras não passam de palavras vazias.
O Estado tem de investir no SNS, nas instalações e meios, e nos seus profissionais. A saúde é um direito, não é um negócio!

O comprometimento do município de Guimarães com esta obra, realizando um investimento que devia ser do Estado não é a descentralização que faz falta a Portugal.

As estruturas de saúde como hospitais e unidades de saúde são da responsabilidade do Estado, para que as assimetrias regionais não sejam uma realidade. O que acontecerá aos municípios que necessitam de obras nos seus hospitais e unidades de saúde, mas não gozam de folgas orçamentais? É assim que surgem as assimetrias, as desigualdades, as injustiças.

Pensávamos que município de Guimarães teria folga orçamental para realizar as obras tão necessárias para que seja possível, finalmente, prestar um bom serviço aos utentes. Mas ontem, o senhor presidente Domingos Bragança fez questão de dizer que não se trata de folga orçamental, trata-se sim de uma opção politica de aplicar o dinheiro na requalificação do serviço de urgências e não numa outra obra qualquer.

Ora, todos sabemos da urgência desta requalificação, da necessidade de se recuperar condições de trabalho para médicos, enfermeiros, assistentes e qualidade no serviço aos utentes.Contudo, não podemos deixar de ficar indignados com o facto do executivo de Guimarães, PS há mais de 20 anos, não ter tido esta opção política no passado.

A requalificação das urgências é uma urgência, é uma prioridade e é sobretudo a vitória dos vimaranenses que lutaram para que se realizasse esta obra tão necessária para criar condições a quem procura este serviço.