Quo vadis, Planeta Terra?!

A larga maioria da população mundial e todos os governantes com assento na ONU, com exceção de Trump, já interiorizaram a lenta agonia a que o Planeta Terra está a ser submetido. Todos os dias assistimos, presencialmente ou através dos vários órgãos de comunicação social, a um desfiar de patéticos exemplos de desvario cívico. Tais desvarios reduzem a qualidade de vida de todos nós e afetam, de uma forma trágica, a biodiversidade do planeta, tal é a evolução negativa de tantos e tantos casos, que nos chegam todos os dias.

Conhece-se, há décadas, a devastação da Amazónia, a desflorestação de certos países Africanos e do Sudoeste Asiático, a desenfreada caça clandestina aos animais de grande porte, para lhes serem retiradas, sobretudo as presas, o lucrativo tráfego de aves exóticas, entre outros atentados à fauna e à flora. E como se pode minimizar tudo isto? A depredação é tão violenta que os nichos de combate aos crimes ambientais não permitem ter resultados palpáveis.

Alguns povos indígenas servem esta conduta catastrófica para sobreviverem. Mas a cadeia de tais crimes fecha-se no círculo de milhares de intermediários, que vive deste comércio clandestino, visando o lucro fácil que obtém, para satisfazer egocêntricos devaneios de compradores exibicionistas. A intensa predação levada a cabo, aliada a outros comportamentos sociais de alto risco ambiental, estão também na origem das alterações climáticas, que avançam a tal velocidade, ano após ano, que só o “negociante” líder dos Estados Unidos da América ignora. Até agora nada consegue impressionar o Presidente da nação mais poluidora do globo, a quem, um dia, haveremos de pedir contas.

Os sinais das mudanças estão aí e bem visíveis. O inopinado degelo e desprendimento das grandes massas de gelo dos polos, a subida das águas dos oceanos, as inundações catastróficas que atingem vários pontos do globo, os incêndios que o ser humano já não consegue conter, as temperaturas inusitadas, são alguns dos sinais mais evidentes das ameaças que todos devemos combater.

Há dias vários canais televisivos, de vários países, mostraram ao mundo horrendas imagens das praias da República Dominicana, pejadas de toneladas e toneladas de lixo, sobretudo de plástico. Num país com baixo nível de vida das suas populações, onde o turismo é uma ou mesmo a principal indústria, os já famosos resorts de luxo e praias paradisíacas deram lugar, desta vez, a intermináveis ondas de plástico. Já todos conhecemos os seus malefícios, sobretudo no ambiente marinho, já causador de milhões de mortes da fauna piscícola. Sabemos também dos inconvenientes para a saúde do ser humano quando, em micro partículas, entra na cadeia alimentar. As imagens a que nos referimos causam, também por isso, uma sensação aterradora.

Perante o que se vê e conhece, sobretudo por parte dos grandes poluidores, o que mais nos choca nessas imagens é a insensibilidade cívica de que fazem prova. Aos governantes deve-se exigir medidas rigorosas e mão pesada na respetiva aplicação, a bem das populações e do Planeta Terra.

Entre nós, ainda que não de uma forma generalizada, começa a surgir uma certa preocupação na compreensão destes fenómenos, o que implica exigência, consciência cívica e conhecimento daquilo que está em causa: A Vida!

Muitos de nós fizeram ou farão férias, a curto prazo, e deparar-se-ão com condutas cívicas menos apropriadas. Esta responsabilidade social de preservação da Natureza, que deve iniciar-se em casa e continuar na escola, exige respeito pelos outros, algum esforço para ser levado à prática e sensibilidade para manter a beleza e conservar o equilíbrio de um espaço natural, seja ele qual for. Um rincão, qualquer rincão, não conspurcado por qualquer tipo de materiais que ofendam a sua paisagem natural torna-se num pequeno oásis, onde gostamos de permanecer, para retemperar energias, após um ano de trabalho.

Boas férias!

Guimarães, 26 de julho de 2018

António Magalhães