Passar pela baixa(ria)

A política é (deveria ser) uma arte, praticada por cidadãos que, individualmente ou em grupo, tem propostas de como gerir o bem comum.
É uma frase esbatida e, quantas vezes, ignorada por quem se aproveita dela, com intuitos pessoais ou fins lucrativos, fazendo com que o termo “político” se torne num insulto.

Quando, em 2015, a maioria dos deputados, na Assembleia da República, inviabilizou um governo minoritário PSD-CDS, dando suporte a um outro liderado pelo PS e apoiado por partidos de esquerda, o efeito foi o de um terramoto nacional.

Em Portugal foi a primeira vez e na Europa, mesmo não sendo novidade, não deixou de causar um certo impacto, dado o carácter conservador da sociedade portuguesa.

A azáfama com se tomaram medidas de última hora, tentando salvaguardar privilégios alcançados, a exemplo do que tinha acontecido com governos anteriores, mostrou a índole de quem está na política para se servir.

Passados três anos, quando se começa a preparar o último orçamento da legislatura, a direita e extrema-direita, perante algum êxito no travar da austeridade e numa desesperada tentativa de reverter a situação, não hesitam em recorrer aos mais sórdidos meios, que em política não deveriam existir.

Denegrir adversários, só porque tem propostas diferentes e vão tendo a aceitação da maioria dos cidadãos.
Devassar a vida dos adversários, trazendo para a praça pública, situações que sendo privadas, as querem fazer passar por públicas.

Em política sempre se hão-de cometer erros e todos sabemos que, por menor que possa ser o seu efeito, o preço a pagar será sempre devastador, principalmente quando é empolado, por quem quer disfarçar as catastróficas malfeitorias de um passado recente.

Não será fácil, a discussão do próximo orçamento, entre os partidos que suportam o actual governo, principalmente se não houver, por parte do PS, coragem de fazer avançar a geringonça, cada vez mais activa, mas ainda com dificuldades em bater o pé ao avanço da extrema-direita, tanto europeia como nacional.

É deprimente encontrar, nos diversos meios de comunicação, gente que se serve de factos irrisórios, chegando ao ponto de recorrer ao insulto, no sentido de tirar proveitos eleitorais.

Nada de novo, mas já é tempo de acabar com este baixo-nível que campeia na política e é exercida por indivíduos que, de políticos, só tem o nome.