Desnivelamento

O nó de Silvares, a rotunda da autoestrada ou simplesmente o inferno bidiário com que tantos são confrontados, é uma história que parece não acabar.

Quase um ano após as Autárquicas em que este ponto foi um dos motivos maiores de discussão entre as principais candidaturas, continua a não ser visível solução que acabe com o tormento.
Não se vê túnel nem se vê viaduto.
Mas esta madrugada, quem por lá passasse teria oportunidade de ver movimentos suspeitos de algo estará a acontecer.
E está: o projecto foi adjudicado no início do ano e foi agora necessário um ensaio sísmico para esse fim.
Existe portanto um mundo de diferença entre aquilo que foi dito há um ano e a realidade.
De um lado, o compromisso de resolver em ano aquilo que não se resolveu em mais de 10. Do outro, a certeza de que tudo estava encaminhado, em curso, quase só faltava inaugurar.
Convém recordar que Domingos Bragança afirmou em Setembro que os projectos estavam em execução.
Leu bem: supostamente estavam em execução.
Como é então possível ter-se adjudicado o projecto no início do ano através de procedimento aquisitivo do final do ano passado?
E de ainda estarmos em ensaios técnicos para o mesmo?
Se é assim com o projecto, imagine a obra… lá para 2021 para inaugurar a tempo das Autárquicas.
A realidade é esta: nem projecto, nem túnel, nem viaduto.
Temos um excelente número político, fruta da época eleitoral, só ultrapassado pela excelência com que a vida das pessoas é atrasada naquela rotunda.
O numero é tão profissional que inclui até um prémio – a bandeira “Cidade de Excelência Nível III” – que considera, entre outras coisas por fazer, o desnivelamento do nó de acesso à auto-estrada.
Engraçado como não havendo sequer projecto que defina solução em túnel ou viaduto premeie o desnivelamento… enfim.
Esta questão entronca na ideia de cidade precisamente porque o desenho daquela área podia e devia ter previsto aquilo porque hoje passamos naquela entrada da cidade.
Foi concretizada pelas mesmas pessoas que trataram de retalhar a cidade da forma que hoje se percebe.
E não vou sequer explorar o desnivelamento entre aquilo que foi assumido pelo promotor imobiliário e a forma grosseira como a Câmara Municipal de Guimarães fez vista grossa à obrigação assumida pelas partes para intervenção naquela zona.
Porque o maior desnivelamento de todos é aquele entre a realidade e a ilusão.
Até quando?

 

Alexandre Barros Cunha, 34 anos, engenheiro civil de formação abraçou a gestão de operações por vocação. Tendo liderado a JSD em Guimarães e no distrito, é hoje deputado municipal, vice-presidente do PSD Guimarães e membro do Conselho Nacional do PSD.