Potencial por explorar

A época estival convida à reflexão.
Entre outras coisas, sobre o que por nós foi passando durante os quase três quartos deste ano de 2018.
Para mim, o momento mais relevante da nossa vida comunitária é o resultado da candidatura a Capital Verde Europeia que colocou Guimarães de fora da corrida, embora num honroso lugar entre as cidades que competiam pela medalha.
Não pretendo explorar aqui as circunstâncias em que a candidatura foi anunciada ou as conclusões do Júri que a avaliou.
Sobre isso já muito foi dito e discutido, cabe agora à Autarquia liderar o processo e continuar a construção de uma candidatura participada e vencedora.
Prefiro antes reflectir sobre o facto dessa candidatura não ter potenciado uma intervenção decidida para explorar o potencial dos cursos de água que atravessam Guimarães e assim coloca-los ao dispor da qualidade de vida dos vimaranenses e dos outros.
Está em causa potenciar uma alternativa de turismo estival numa escala que apesar de necessariamente reduzida permite um impacto económico positivo nas localidades em que as praias fluviais existam.
Esta alternativa a destinos com maior atractividade convida ao desenvolvimento de actividades económicas vocacionadas para um segmento de turismo que encontra no território vimaranense para lá dos cursos de água campo mais que fértil para dar frutos.
Permite acrescentar interesse a Guimarães no seu conjunto para lá do destino histórico-cultural, criando novos roteiros turísticos, novos motivos para prolongar a estadia.
A aposta nos nossos cursos de água e no seu potencial económico implica uma perspectiva diferente.
Desde logo perceber que neste domínio existe uma real coerência territorial a norte do concelho – que terá como epicentro o Gerês – com vários pontos nevrálgicos em vários municípios ao redor desse santuário natural.
Esta é uma opção pouco explorada talvez pela menor escala em relação a outras opções nomeadamente o destino praia.
No entanto, para lá da questão económica existe ainda uma dimensão ambiental que não é de menor importância: uma natureza fruível é uma natureza mais protegida porque mais procurada.
Utilizar o potencial natural será porventura simples.
Não faltam exemplos de sucesso nesse domínio.
Os distritos do interior que apresentam inúmeras praias fluviais classificadas como Qualidade de Ouro pela Quercus serão porventura um bom exemplo disso já que a necessidade despertou o engenho de investirem nesse caminho.
Seria ou não um pequeno grande objectivo termos pelo menos uma praia fluvial com esta medalha em Guimarães?
Terão os nossos cursos de água água com qualidade para almejar esta medalha?
Ou será a qualidade da água um obstáculo tal como na candidatura a Capital Verde Europeia?

 

Alexandre Barros Cunha, 34 anos, engenheiro civil de formação abraçou a gestão de operações por vocação. Tendo liderado a JSD em Guimarães e no distrito, é hoje deputado municipal, vice-presidente do PSD Guimarães e membro do Conselho Nacional do PSD.