O belo mês de agosto

Chegou o belo mês de agosto. De cá e de lá, de cá para lá e de lá para cá, passeiam-se as sandálias e os chinelos de dedo, espreguiçam-se as pernas cansadas num merecido pôr do sol à beira mar instalado e derretem-se os gelados pelos queixos fartos.

Enquanto isso, eu aproveito que o tráfego está baixo e pratico no ginásio, quase que tenho aula particular para trabalhar a flexibilidade e a respiração e saio menos assustada pelos carros para os treinos específicos na bicicleta.

As férias quando chegam não chegam para todos – mesmo que todos as mereçamos!

Por aqui e por ali, pelos locais e por aqueles por onde vou neste mês de agosto passando, a pergunta quase que se gasta de tão repetida:

– Então, e as férias?! Quando vais? Para onde?

Segurem o frenesim. A resposta é curta mas a explicação que lhe pedem logra um café longo no Lounge de eleição:

– Eu não tenho férias.

Não é “Eu não vou de férias”! Não é “Eu não tiro férias agora”! É mesmo:

– Eu não vou de férias – nem agora nem noutra altura do ano. Tiro um ou outro dia para descansar, para recuperar, mas não vou de férias. Aliás, não vamos – que o ciclismo, lá em casa, é vivido a dois.

“Take no rest days.” O slogan é bem conhecido mas é muito mais do que um chavão: resume toda a verdade sobre a vida de corredora e produz a pura realidade! A vida na bicicleta faz-se sobre rodas. Posso não estar 365 dias em cima da bicicleta, a treinar na bike, mas todos os dias do ano são planeados em função do calendário competitivo e isso leva a que não haja dias de “descanso”, com que não se proporcione a mínima possibilidade de perder o foco.

– Pois – dizem. Faz sentido! Assim nunca sais da linha. … Mas não podes cometer assim uma loucura do tipo “fast-food”, uns bolos, beber uns copos duma bebida branca, sair até de madrugada com os amigos e outras “cenas” que tal?

– Na verdade eu até não como animais, não gosto de comida gordurosa, sou celíaca e o meu sistema nervoso não se dá bem com as bebidas brancas. De resto, adoro esta altura do ano porque amigos e familiares estão todos de férias e disponíveis para conviver no horário pré-Vitinha (para quem é da década de 80 e ainda se lembra do genérico que nos dava as boas noites depois do telejornal). Quanto às “loucuras”, também este período é perfeito: abundam as festas populares e não há terrinha que não apresente um excelente cantor ou banda no cartaz do arraial – tudo antes da meia noite, mesmo a terminar a horas boas para um repouso adequado ao treino do dia seguinte. Até a comida saudável fica mais barata porque toda a minha gente quer estar “fit” para a exposição solar e porque, como todos vão para fora da cidade, as promoções abundam. (Risos)

O Verão é maravilhoso! Vivam as férias dos outros que eu tenho ainda uma época a cumprir e os olhos em 2019! 😉

Ilda Pereira (http://ildapereira.com), 36 anos, licenciada em Ensino de Português e Inglês, na Universidade do Minho, e em Artes, na Escola Superior Artística de Guimarães. Foi oficial da Força Aérea e é corredora internacional de ciclismo desde 2010.