A Marca “Guimarães”

Há nem um mês atrás, Domingos Bragança anunciava em conferência de imprensa que a autarquia ia desenvolver um estudo para definir o posicionamento da marca “Guimarães”, de modo a permitir que a “cidade seja um município turístico de referência internacional”. Explicava então o edil que “um traço essencial é a presença de Guimarães no mundo digital. Nas plataformas, no telefone de cada um de nós, no seu computador pessoal, é que faz com que a escolha de cada cidadão no mundo seja visitar Guimarães”. E que, por isso mesmo, a marca tem que ser “diferenciadora” – “Competimos com outras cidades para ser escolha no turismo mundial. Temos que fazer sempre mais para nos mostrarmos ao mundo como um território, seja a cidade, as Taipas, as termas, a Citânia de Briteiros, todo o nosso território”.
Nada contra quanto ao conceito, a não o ser o facto de pecar por tardio. Há já muito que Guimarães se devia ter afirmado a este nível – fixar os turistas na cidade por mais do que um par de horas, como hoje ainda não acontece e, se assim fosse, contribuir efectivamente para o desenvolvimento da economia local, o que ainda está longe de ter a expressão que poderia e deveria ter. De resto, esta é uma matéria em que a coligação PSD/CDS vem insistindo há vários anos e uma estratégia que queria ter visto implementada lá atrás. Se tivéssemos sido ouvidos em tempo útil, poderíamos estar já em velocidade de cruzeiro, com a economia local a colher os respectivos frutos.
Mas, enfim, mais vale tarde do que nunca e o que desejamos todos é que seja bem sucedida. Há, contudo, um problema que não é de somenos.
Promover a cidade e todo o seu território é uma ideia óbvia, fixar os turistas é essencial, fortalecer a economia local através do turismo é um objectivo evidente – desde que não seja o único para o desenvolvimento do município, que tem muito mais potencial do que isso e a sua história comprova-o – mas a teoria tem de acompanhar a prática e a questão está exactamente aí.
Para criar uma marca não basta desenvolver um conceito bonito e sonoro e achar que está tudo feito. Para criar uma marca é preciso que a teoria acompanhe a prática. É preciso que as infraestruturas estejam preparadas e que os serviços estejam à altura. E clara e manifestamente não estão.
Desde a rede viária que, apesar das promessas copiadas de outros não tem conhecido novo destino, continuando “entupida e paradinha”, ao aparcamento de viaturas – em ruas que pura e simplesmente não se conseguem ver porque estão cheias de carros em que, literalmente, tropeçamos e tentamos contornar para nos podermos deslocar por entre elas – até à recolha do lixo ou à livre circulação de ratos, que acabam a jazer mortos pelos cantos da cidade e nos quintais das pessoas, o básico continua por fazer. Aliás, ainda há dias passava à hora do almoço pelo centro histórico de Guimarães e fiquei atónita com o que vi. Carros do lixo a recolherem os resíduos do dia anterior, obrigando uns turistas que ali passavam a assistir a essa extraordinária e perfumada atracção turística que, ainda que quisessem, não tinham hipótese de não ver, já que não podiam avançar. Podiam retroceder, sim, mas não será certamente essa a experiência que queremos que levem de Guimarães – retroceder… E isto para não falar de monumentos como o Paço dos Duques, a precisar de obras de recuperação urgentes, já reclamadas mas, como vem sendo hábito, ainda desatendidas.
Era bom que o que se diz entre dentes e, infelizmente, vai rendendo votos – Câmara PS fala melhor com Governo PS – tivesse ao menos esse efeito positivo. Ao menos um…
Donde, ou se faz o investimento necessário para que a promoção da marca “Guimarães” seja efectiva e o que se vê no mundo digital – “nas plataformas, no telefone de cada um de nós, no seu computador pessoal” – corresponda à realidade, ou então de pouco ou nada adiantará. Será, como diz o meu filho de 5 anos, “publicidade enganosa” e não passará de propaganda cara e supérflua. E isso ninguém quer e só cairá uma vez…

Vânia Dias da Silva, 40 anos, residente em Guimarães, jurista, Deputada à AR eleita pelo círculo eleitoral de Braga nas listas do CDS-PP. Membro da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e da Comissão de Cultura. Vogal da Comissão Política Nacional do CDS-PP.