Parentalidade: Regresso às aulas Consciente

Chegou Setembro, e com ele chegará também o Outono e o regresso às aulas (ou o início das mesmas). É, sem dúvida, um mês de mudanças, de adaptação, de transformação e de evolução, portanto.

Para muitos o início ou o regresso às aulas é sinónimo de ansiedade e preocupações…para outros de alegria pelo reencontro dos colegas e dos professores (pelo menos de alguns, vá!). Este início pode ser realmente desafiante quer para miúdos, quer para graúdos. Para uns por não saberem exprimir as suas emoções e necessidades da melhor forma, para outros pelo mesmo motivo, e por, muitas vezes, não saberem como lidar com a forma como os filhos exprimem as emoções, e com as suas expectativas e culpas.

Quantos de nós já se esqueceram como é ser criança? Das dificuldades que sentíamos por não nos sabermos exprimir da melhor forma, da injustiça que sentíamos pelo tratamento dos adultos, dos quais dependíamos, da insegurança que sentíamos quando nos deparávamos com uma situação ou pessoas novas?

Quantos de nós já se esqueceram como é iniciar um trabalho novo, as expectativas que temos, o nervosismo e ansiedade que causa, o facto de sabermos que estamos a ser avaliados de alguma forma, o não nos darmos bem ou não gostarmos de um ou mais colegas? Quantos de nós já tiveram um superior que não tem em consideração as nossas opiniões, os nossos gostos, as nossas vontades, as nossas emoções, as nossas necessidades? E quantas vezes saímos bem para além do horário de trabalho, sem qualquer reconhecimento ou compensação e às custas do tempo em família? Já para não falar de que gostaríamos de nos integrar e assimilar todas as tarefas e aprendizagens inerentes a esta nova tarefa (ou uma tarefa já conhecida, no pós-férias) de forma gradual, sem pressões, e que houvesse alguém que efectivamente nos acolhesse, estivesse lá para nós, nos cuidasse, nos ajudasse, no fundo, que se conectasse e colaborasse connosco. Que o trabalho de equipa fosse efectivamente isso, um trabalho de equipa, onde todos colaborassem e onde prevalecesse o espírito de entreajuda.

Quem nunca colapsou no trabalho? Quem nunca teve daqueles dias infernais que nunca mais acabam, nos quais só apetece ir para casa. Aqueles dias em que só apetece o miminho de quem nos quer bem, de quem queremos bem, com quem nos sentimos seguras? Aqueles dias em que só queremos um abraço, um beijo, um amo-te muito, um está tudo bem, vai ficar tudo bem, um estou aqui!

E os miúdos? Quantas crianças vão entrar pela primeira vez num estabelecimento de ensino, onde toda a gente é desconhecida? Quantas vão sentir nervosismo e ansiedade? Quantas vão saber lidar com isso? Quantas vão ter quem as ajude a lidar com isso? Quantas vão sofrer com as avaliações?

Esse texto poderia ter começado com um “Era uma vez” e acabado com um “e foram felizes para sempre”, mas, na verdade, este texto começa quando chegas a esta parte e percebes que se trocares os adultos desta história por crianças e o trabalho pela escola, os chefes por professores, sabes exactamente aquilo que tens que fazer para que este seja o (re)início de aulas mais espectacular de sempre.

Sónia Lopes, 35 anos, é Psicóloga Clínica, Hipnoterapeuta, Coach e facilitadora de Parentalidade Consciente. Fundadora do SeMente – Centro de Desenvolvimento Pessoal, sempre se dedicou ao desenvolvimento pessoal (seu e dos outros) e hoje abraça a mais desafiante profissão de todas: ser mãe. Irá partilhar connosco a sua visão acerca da Parentalidade.