Inventar o futuro com determinação e resiliência

A Câmara Municipal de Guimarães inaugura no próximo fim-de-semana a Ecovia. Esta é uma inauguração de uma primeira parte de um projeto que pretende ligar todo o concelho através de vias cicláveis e pedonais, contemplando no seu percurso a recuperação de zonas ribeirinhas para usufruto público.

Este é um projeto que tem merecido algumas críticas. É normal. São marcas da mudança. Umas por quererem ver aperfeiçoado um projeto e um traçado pelo qual nutrem simpatia, outras por não lhe verem a utilidade no imediato.

Só que o futuro inventa-se hoje. E quando temos um sonho devemos persegui-lo, com a devida ponderação e auscultação, mas com a determinação de quem ousa antecipar hoje os problemas de amanhã.

Eu, que ao longo dos anos que estive fora de Guimarães, fui um utilizador assíduo da bicicleta – ainda que proporcionalmente mais para lazer do que para deslocações quotidianas – não vejo a hora de me sentir confortável numa cidade que abraça os meios suaves como alternativa credível para o dia-a-dia.

Integrado neste objetivo de olhar para a mobilidade como um dos aspetos da sustentabilidade que se pretende alcançar, estão ainda mais três fatores importantes e que estão a caminho de conhecerem mais novidades.

O primeiro é a conclusão do Parque de Camões. Uma alternativa para a crescente e gradual pedonalização das zonas mais centrais da urbe.

O segundo é a oportunidade de nas imediações do terreno da estação de comboios da CP alargar as alternativas de estacionamento, criando uma plataforma intermodal.

O terceiro é o plano de mobilidade sustentável que, ficamos a saber estará para breve e merecerá da parte do Presidente da Câmara todo o espaço para um debate e reflexão pública sobra o tema, de forma alargada e participada.

Se à conclusão destes três pontos juntarmos um novo modelo dos transportes públicos concelhios e interconcelhios, que priorizem a coesão territorial, pela abrangência condigna com a dimensão e especificidade do concelho, aliado ao objetivo da integração gradual de autocarros elétricos, estaremos mais perto de atingir aquilo que podia parecer excessivamente ambicioso, ou mesmo utópico.

É preciso determinação e resiliência quando se ousa inventar o futuro. Mas felizmente temos à frente dos destinos da Cidade alguém que já mostrou aliar estas duas qualidades à sua ambição de fazer de Guimarães um território ambientalmente mais sustentável.

Continuemos a ousar inventar o futuro, conscientes de que nesta matéria o presente exige ainda tanto de nós.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.