Não há camas!

Na semana passada reflectimos sobre algumas questões da escola pública no nosso concelho, mas o balanço sobre a abertura do ano lectivo no ensino básico ficará para o futuro, próximo.

Esta semana, a acompanhar as notícias dos meios de comunicação local, são revelados números assustadores sobre a falta de camas para os estudantes que entraram no ensino superior. E ainda só estamos na primeira fase.

Atentemos nos números. Existem 554 camas em Guimarães geridas pelos Serviços de Acção Social, mas para este início de ano estão apenas disponíveis 40 vagas, e entraram na primeira fase 750 alunos. Não me parece ser difícil entendermos que há um grave problema para resolver no ensino superior.

Em resposta a estes números preocupantes, o senhor presidente da câmara Domingos Bragança anuncia a criação de uma rede de oferta de alojamento, o projecto “Guimarães Anfitriã”.

Assim sendo, encontramo-nos perante questões pertinentes. Sabemos que não é da responsabilidade do município garantir alojamento para os estudantes, e que tão pouco é da responsabilidade do município a construção de residências universitárias, que tanta falta fazem em todo o país. Essa responsabilidade, a de assegurar a gratuitidade da educação até aos mais elevados graus de ensino, cabe por inteiro à administração central.

Por isso nos empenhámos tanto em fazer aprovar nos dois últimos Orçamentos do Estado a gratuitidade dos manuais até ao 6º ano, que neste ano lectivo atingem já 550 mil crianças e queremos que vá até ao 12º ano. No que diz respeito ao alojamento para os estudantes deslocados dos seus locais de residência também é da responsabilidade da administração central.

Sendo assim, não se percebe o porquê da câmara municipal em vez de exigir mais residências universitárias, em vez de pressionar o Governo a assumir as suas obrigações, venha agora com soluções que remetem a responsabilidade para os estudantes por um lado e para os vimaranenses por outro.

Até porque não é papel da autarquia fazer serviço de mediação imobiliária, tarefa reservada ao “mercado”.

A câmara devia protestar porque no debate do Orçamento de Estado de 2018, uma das forças componentes da CDU, o PCP, propôs um plano para aumentar em 1000 o número de camas disponíveis que PS, PSD e CDS chumbaram. Parece que o PS em Guimarães desresponsabiliza o governo PS para passar a responsabilidade para os vimaranenses.

Já nos vamos habituando a não ser hábito o executivo PS reclamar do governo aquilo que é da responsabilidade deste último, arcando (qual moço de recados bem comportado) com todas as despesas, limitando o investimento camarário e penalizando o desenvolvimento de todo o concelho.

Apesar de tudo, termino desejando aos novos alunos do pólo de Azurém da Universidade do Minho, uma caminhada longa e que criem laços com as tradições vimaranenses, que os recebem de braços abertos.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.