Cultura ou falta dela, mais ou menos por opção!!!

O Pelouro da Cultura e as associações culturais praticam uma cultura mais ou menos parecida como aquela que se praticava antes do 25/A: artesanato, exposições, música, feiras e festas; torneio de sueca, de chincalhão e visitas guiadas.

Esta cultura “arcaica” é do mais básico que há.

A cultura poderia passar para outro patamar mais elevado que tenha como objetivo principal a difusão da cultura geral, baseada no raciocínio livre, nas experiências científicas e sociológicas. Seu fim é o de subtrair o homem da condição de instrumento dirigido, condicionado económica, moral e psiquicamente; dar-lhe condições de um ser pensante com liberdade de ser livre. Sua meta mais importante é a divulgação da cultura social com vistas a alargar os limites da mente humana, mais difíceis de transpor do que as fronteiras geográficas, políticas e económicas. Visa libertar o homem e dar-lhe condições de ser livre numa terra livre.

Há pouco tempo fizeram um estudo sobre os idosos da E.U., o estudo deu como resultado que, nós os portugueses somos os idosos mais incultos e mais doentes! Os séniores que hoje temos 60, 70 e tal anos, pelo 25/A – eramos os jovens da altura; se fizermos uma sondagem e um estudo, deparamos que, a cultura dos séniores de hoje é a mesma cultura que tínhamos quando eramos jovens. Isto não deveria de ser normal na existência humana. A lógica seria adquirirmos cada vez mais cultura à medida que vamos envelhecendo. Este processo deveria encontrar apoio em estruturas próprias, onde se pudesse fazer debates e tertúlias sobre literatura, bem como outras áreas… No fundo, a policultura.

Só um povo culto será capaz de combater as injustiças e a corrupção. Ou então leva-nos a pensar que faz sentido expressões de figuras de alto nível cultural, tais como:

“O Estado não quer um povo culto porque o povo culto derruba o Estado” (…)

“A maior cegueira é a da mente”, Saramago.

“A ignorância não está em desconhecermos isto ou aquilo, mas sim na recusa do saber” (…)

“A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos”, Lobo Antunes.

“A ignorância é o elemento mais violento da sociedade”, Emma Goldman.

“A cultura ajuda um povo a lutar com as palavras, em vez de o fazer com as armas” (…).

António Alvão, Reformado e militante da luta não abandonada.