A boa, os maus e o péssimo

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Não há dúvida que Joana Marques Vidal, com as suas virtude e defeitos, como todos – perfeito houve um e espetaram-No numa cruz – mudou a face que a Procuradoria-Geral da República mostra aos cidadãos que pretende defender.

Com a aplicação de Justiça cega, surda e muda aos interesses e aos poderes que, qual campo magnético, distorcem os princípios da sociedade em que pretendemos viver e que a República, mentirosamente (à luz dos últimos 108 anos), prometeu erguer.

Se Joana Marques Vidal errou não foi na aplicação da Justiça cega: sendo cega muito bem viu aquilo que outros não quiseram ver.

Se Joana Marques Vidal errou não foi na aplicação da Justiça surda: sendo surda finalmente ouviu e bem os esquemas que tantos quiseram abafar.

Se Joana Marques Vidal errou foi na mudez de um Ministério Público que fala demais com a Comunicação Social. Quiçá um expediente limite mas criticável, um grito de atenção: se não se souber, será que algum poder oculto vai condicionar o funcionamento da Justiça, desde a investigação até à conclusão…?

Joana Marques Vidal é um bom exemplo. Integridade, coragem e sentido do dever na persecução da causa pública.

Com resultados que abalaram o crónico sentimento de impunidade com que os poderosos têm o desplante de viver neste país e que os pequenos cidadãos comuns observam todos os dias – impávidos, conformados, impotentes.

Por isso merece um agradecimento sentido.

Marcelo e Costa mostraram ser um mau exemplo. Nada que surpreenda quem não ande atrás de uma selfie com o Presidente desta pobre e endividada República Portuguesa, quem não se iluda com vacas voadoras e défices zero graças ao prejuízo dos serviços do Estado aos seus cidadãos. Cada um tem o que merece, Portugal parece que merece isto.

Se de Costa, o amigo de Sócrates, seria expectável a intenção de não reconduzir a irritante Joana Marques Vidal, intenção várias vezes assinalada em truques de ventriloquia, não seria expectável que Marcelo, o amigo de Salgado, alinhasse no jogo e se assumisse por trás das câmaras aquilo que aparenta em frente a elas: ser realmente o garante de alguma decência num país que pretenda continuar de facto a combater a corrupção e a ressuscitar o respeito e a fé na Justiça deste país.

Mau exemplo e mau serviço prestaram ao país num triste espectáculo de incoerência em que o argumento da praxis democrática passou a servir os interesses de uns quantos poderosos novamente contra os interesses de um país que tem um Governo nascido precisamente da quebra revolucionária mas legítima da mesma praxis democrática.

Péssimo exemplo o deste Estado que em face da competência e de resultados não promove o mérito, afastando quem demonstra ser bom.

Que dizer aos elementos do Ministério Público que, até aqui respaldados pela PGR, afirmaram corajosamente o poder da Justiça sobre os interesses políticos, partidários, financeiros, desportivos e outros?

Quando as mais altas instâncias do Estado optam conscientemente por desprezar o princípio da meritocracia que pior exemplo podem dar aos cidadãos deste pobre e endividado país onde fazer bem ou fazer mal resulta igual?

 

Alexandre Barros Cunha, 34 anos, engenheiro civil de formação abraçou a gestão de operações por vocação. Tendo liderado a JSD em Guimarães e no distrito, é hoje deputado municipal, vice-presidente do PSD Guimarães e membro do Conselho Nacional do PSD.