Um casal curdo na casa dos 30 anos e os seus dois filhos (um menino de 5 anos e uma menina de 2 anos), oriundos de Kobani, na Síria, recordam a sua vida maravilhosa antes da guerra. O marido trabalhava e a esposa frequentava o quarto ano do curso superior em Literatura Inglesa. Permaneceram em Kobani até a cidade ser atacada pelo Estado Islâmico, momento em que fugiram para a Turquia, onde viveram durante 5 meses. Regressaram a Kobani, mas a cidade estava destruída, coberta de sangue e de cadáveres.
Voltaram para a Turquia, deslocando-se a pé, durante a noite e sem passaporte. Numa primeira tentativa de chegar à Grécia, foram apanhados pela polícia turca. Numa segunda vez, conseguiram chegar a Lesvos e foram levados para o centro de detenção de Moria, local que descrevem como “pior do que Kobani”: sobrelotação extrema, com várias famílias a viver na mesma isobox, a dormir no chão, muito frio durante a noite, sem cobertores para as crianças, filas de 3 horas para comer, muita sujidade nas casas-de-banho e inexistência de água quente, tudo isto com a violência sempre presente.
Vivendo nestas condições, o filho do casal contraiu uma grave infeção pulmonar. Devido aos conflitos entre árabes e curdos, a família fugiu para o campo de refugiados de Pikpa, sob ameaça de morte por parte dos árabes, depois de 2 meses em Moria. Ficaram em Pikpa durante 10 dias e mudaram-se para o campo de refugiados de Kara Tepe, um local destinado a famílias.
Descrevem Kara Tepe como um local pacífico, calmo e bom para as crianças, com espaço para todos. Ainda assim, ambicionavam ser transferidos para Atenas – o que conseguiram três dias após a entrevista – e, mais tarde, conseguir viver na Noruega, onde têm família. Atualmente, a senhora está grávida do terceiro filho, com placenta prévia e bastantes complicações associadas.

