Reserva de Valor, por João Pedro Pinto

“Smart Cities” ou cidades inteligentes: parece mais um chavão da moda ou um tema cliché para conferências, workshops e outro tipo de eventos e estudos, distante da realidade das cidades, do nosso quotidiano e que na cabeça de uma boa parte dos cidadãos apenas acontecerá numa próxima geração, à qual a maioria não assistirá… Provavelmente tudo isto está a ser comunicado da forma errada!

Comecemos por entender o que as define e qual o objetivo deste conceito. De uma forma muito simplista, uma “smart city” é um conceito que chega para, através da tecnologia, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, tornando ao mesmo tempo as cidades mais sustentáveis de modo a garantir esse padrão de qualidade elevado para as gerações futuras.

Segundo vários estudos, 75% da população mundial habitará em cidades em 2050, o que será seguramente um desafio na gestão de recursos a todos os níveis: energético, mobilidade, saúde, educação, habitação, etc. Só com elementos inovadores, como o coliseu foi para Roma há mais de 2000 anos e a eficiência na gestão dos centros urbanos, será viável a vida nas cidades.

Hoje, e apesar de não ser visível para todos, já existe várias destas tecnologias em cidades portuguesas, apesar de não estarmos ainda na dianteira mundial da sua aplicação.

Temos cidades que monitorizam e otimizam a utilização da energia consoante as necessidades reais, outros casos que já implementaram soluções de “smart lightning”, onde para além da luz pública ser gerada através do sol e do vento, os candeeiros de rua reduzem/aumentam a sua intensidade consoante a deteção do movimento dos peões. Nos resíduos urbanos, alguns municípios estão já a implementar o payt (conceito em que o utilizador paga as taxas de produção de lixo consoante o que efetivamente produz e não indexado ao consumo de água, tal como ainda se cobra na maioria dos locais), alguns já implementaram um sistema de sensores e software que detetam o enchimento dos contentores tornando as rotas de recolha otimizada, tornando-a inteligente, poupando os recursos de todos.

Também nos transportes e na mobilidade espera-se maior eficiência, os semáforos passam a ser inteligentes e ajustam-se consoante os fluxos de trânsito, melhorando-os, o GPS identifica-nos em tempo real a rota mais rápida, desviando-nos da rota habitual por ter havido um acidente, acidente esse que é monitorizado pelo sistema de circuito fechado de câmaras e automaticamente alerta as autoridades para o local. A rega dos jardins públicos aciona apenas quando deteta real necessidade (quem nunca viu a rega ligada num dia intenso de chuva?!). A frequência e a oferta dos transportes públicos passa a adaptar-se à procura e muitas outras coisas poderiam ser aqui referidas, que provavelmente a cidade onde vive já esta a implementar e ainda não se apercebeu.

Tudo isto parece-me excelente, embora numa fase muito prematura de implementação, o que vemos já no terreno são ainda medidas isoladas, não existe uma estratégia para a sua implementação estruturada, sistematizada e integrada. Aí sim, poderemos começar a usufruir de uma melhoria de vida nas cidades, bem como sentir benefícios diretos da maior eficiência dos municípios, imagino que através da redução de impostos ou aumento da oferta de serviços..

João Pedro Pinto (https://www.linkedin.com/in/joaopinto1/), 32 anos, é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais.