O Gabinete

A juventude voltou às conversas do dia, em Guimarães. Na semana passada foi extinta a divisão da Juventude da Câmara Municipal de Guimarães e isso foi motivo para que se retomasse uma reflexão pública que já vem sendo feita desde o mandato anterior.

Não é a primeira vez que escrevo sobre a falta de políticas dirigidas para a juventude em Guimarães e publicamente a CDU apresentou diversas vezes a sua insatisfação com o desleixo pelo Conselho Municipal da Juventude por parte do executivo camarário.

O mandato é outro, o PS tem maioria, mas “o quero, posso e mando” continua a ser o lema em todas as áreas, inclusive na da juventude.

Com a Troika por cá, em tempo de uma crise, os jovens portugueses foram os que mais procuraram outros países para fazerem os seus caminhos profissionais e para serem capazes de realizarem sonhos e objectivos. E assim vários municípios foram envelhecendo e perdendo população.

Guimarães é um concelho a envelhecer e, apesar de ter um pólo universitário, é muito pouco atraente para que os jovens se fixem.

A falta de emprego, as rendas das casas altíssimas, a falta de opção de transportes públicos e o crescimento de outros concelhos são só alguns dos motivos para que os jovens não optem por viver em Guimarães. Depois da crise e com um PS em maioria estas questões permanecem e, por exemplo, a falta de alojamento para os jovens universitários representa bem a incapacidade para se desenvolverem mecanismos ao longo dos anos para que não chegássemos a 2018 com um problema que é antigo e que foi sempre “chutado” para Braga.

A cada novo Orçamento lá vem a questão da juventude, a cada quatro anos surgem as propostas e as promessas de atracção de jovens para o concelho. No entanto, o que vemos é que nada muda e as politicas para a juventude são diluídas pelas diversas áreas. Dizem-nos que a juventude não é esquecida na educação, e que os projectos para a cultura também incluem uma preocupação com a juventude, tal como na economia a criação de empregos também podem ser para jovens. Sim, é verdade, o Orçamento para um município não é só para jovens ou velhos, é para todos.

Contudo, o que podemos verificar é que existem opções políticas distintas, pois uns municípios decidem apostar na Juventude, com um vereador dedicado apenas a estas questões, com um programa destinado aos jovens, com apoios ao associativismo jovem, com uma visão de envolvimento da juventude no desenvolvimento do concelho.

O executivo camarário vimaranense optou por  ter uma vereadora dedicada a três áreas tão específicas e complexas como a Educação, a Cultura e a Juventude, optou por extinguir a divisão da Juventude sem que, dois dias antes, a senhora vereadora tenha tido a gentileza de informar os jovens e as organizações que compõe o CMJ, e que se juntaram em reunião convocada pela própria. Até podia ter dito que isso iria acontecer mas que existiam outros planos, grandes planos.

Nem precisava, porque depois da polémica instalada lá se tiram umas fotos com os jovens e com o senhor presidente da câmara e faz-se um comunicado de imprensa, actuação muito mais directa e muito mais próxima daqueles a quem se prometem grandes voos, apesar da dificuldade de comunicação.

A falta de comunicação está nos pormenores. A falta de comunicação está no desinteresse, a falta de comunicação está em se ver tudo de forma transversal quando é urgente uma visão mais específica.

O espaço do CMJ pode ter que ser revisto, pode não ser o espaço mais indicado para atrair a juventude, mas é o único que existe de ligação directa entre os jovens vimaranenses e o poder local. Um ano de mandato e duas reuniões apenas. Um ano de mandato e nenhuma discussão séria sobre os temas que preocupam os jovens vimaranenses, um ano de mandato e velhos hábitos. Reagir, correr atrás do prejuízo, atacar a oposição que reclama mais dedicação às problemáticas da juventude desde há muito tempo, tem sido o modus operandis da maioria.

Um ano de mandato e temos apenas uma fotografia acompanhada da promessa de um Gabinete para a Juventude.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.