Guimarães recebe seleção nacional pela sétima vez

A seleção portuguesa vai subir, mais logo, pelas 19:45, ao relvado de um Estádio D. Afonso Henriques que se espera lotado para defrontar a Polónia, no jogo que encerra o Grupo 3 da Liga A da Liga das Nações. É a sétima vez que vai jogar no recinto vimaranense. O Duas Caras apresenta uma retrospetiva das seis partidas já realizadas na cidade berço.

 

O embate desta terça-feira coloca frente a frente duas equipas com destinos já traçados neste grupo; a equipa das ‘quinas’ tem sete pontos no grupo, fruto das vitórias sobre a Itália, por 1-0, no Estádio da Luz, e sobre a Polónia, por 3-2, em Chorzow, e do nulo com os transalpinos, em Milão. A equipa de Fernando Santos vai competir com Inglaterra, Suíça e Holanda na primeira ‘final four’ desta competição, que vai decorrer precisamente no estádio vitoriano e também no Estádio do Dragão, entre 05 e 09 de junho de 2019. Já os polacos empataram o primeiro jogo do grupo, no reduto da Itália (1-1) e perderam dois, estando já despromovidos à Liga B.

Os seis jogos anteriores na cidade berço disputaram-se em vários contextos: alguns foram amigáveis; outros foram jogos das fases de qualificação para os campeonatos do mundo e da Europa, quer no arranque, no meio ou no fim. O Estádio D. Afonso Henriques recebeu a seleção pela última vez há cinco anos. A estreia, porém, ocorreu há 35, quando o recinto era ainda o Municipal, e a única bancada coberta era a Poente.

 

França de Platini foi (então) demasiado forte

A seleção portuguesa jogou pela primeira vez em Guimarães, no dia 16 de fevereiro de 1983. Era o Portugal de Bento, de Carlos Manuel, de Chalana, de Fernando Gomes e de Jordão. O adversário era a França, equipa sem títulos internacionais que já se afirmava então como uma das melhores seleções do mundo, depois do quarto lugar alcançado no mundial de 1982, em Espanha.

Michel Platini, já então ao serviço da Juventus, era a estrela dos ‘bleus’, o líder do quadrado mágico do meio-campo gaulês, ainda formado por Jean Tigana, Alain Giresse e Luiz Fernández. Todos eles jogaram num Municipal de Guimarães composto por cerca de 9.000 pessoas, num duelo em que se superiorizaram claramente e venceram por 3-0. Aos 10 minutos, a França já vencia por 2-0, com golos de Yannick Stopira, aos sete, e de Jean-Marc Ferreri, aos oito. Stopira bisou, depois, aos 70, para estabelecer o resultado final.

A partida ocorreu durante a fase de apuramento para o europeu de 1984, a realizar precisamente em França. Portugal somara até então duas vitórias, sobre a Finlândia (2-0) e sobre a Polónia (2-1), mas, em abril, viria a ser goleado na União Soviética (5-0). Uma derrota em Coimbra, frente ao Brasil, por 4-0, em 08 de junho, viria a ditar a saída do então selecionador Otto Glória e a entrada de uma comissão técnica composta por Fernando Cabrita, António Morais – treinou o Vitória em 1985/86 – e Toni. A seleção venceu os restantes três jogos do Grupo 2 e apurou-se pela primeira vez para uma fase final de um europeu.

Em França, aqueles que foram batizados como patrícios encontraram novamente Platini e companhia, nas meias-finais, em 23 de junho. No Velodróme, em Marselha, o jogo foi bem diferente do de Guimarães. Portugal esteve mesmo a vencer no prolongamento, graças ao tento de Jordão, aos 98 minutos, mas os golos de Domergue, aos 114, e de Platini, aos 119, abriram o caminho para o primeiro título europeu dos gauleses.

 

O triunfo mais volumoso

A equipa das ‘quinas’ demorou 16 anos a regressar ao berço. Quando o fez, a 26 de março de 1999, encontrou um estádio diferente daquele em que havia jogado na década de 80: as bancadas Poente e Nascente já se assemelhavam às de hoje e a Norte também, embora sem a cobertura. A bancada Sul tinha, em comparação com a de hoje, dimensões parcas, num recinto decorado com cadeiras brancas e cinzentas, ao contrário da variedade de cores que hoje se vê.

Portugal recebeu o Azerbaijão, em Guimarães, no quarto jogo do Grupo 7, a contar para a fase de qualificação para o europeu de 2000, organizado pela Holanda e pela Bélgica. A equipa treinada por Humberto Coelho disputou, ao longo da fase de apuramento, a liderança do seu grupo com a Roménia e o encontro do D. Afonso Henriques serviu praticamente para cumprir calendário, face à diferença abissal entre as duas equipas.

Num embate presenciado por 14.650 pessoas, a turma das ‘quinas’ chegou ao intervalo a vencer por 2-0, graças aos tentos de Sá Pinto, aos 27 minutos, e de João Vieira Pinto, aos 36. Na segunda parte, o marcador disparou, com os tentos de Paulo Madeira, aos 69, de João Vieira Pinto, novamente, aos 73, de Sérgio Conceição, aos 76, e de Pauleta, aos 83 e aos 84. Com o jogo praticamente decidido, Humberto Coelho trocou os guarda-redes ao minuto 77, fazendo entrar o vitoriano Pedro Espinha para o lugar de Vítor Baía. Foi a segunda internacionalização do guardião.

Portugal terminou o grupo com 23 pontos, menos um do que a Roménia, mas apurou-se diretamente para o Euro 2000, enquanto melhor segundo classificado da qualificação. A denominada “geração de ouro” viveu, na Holanda e na Bélgica, um dos seus momentos mais altos, com um futebol que encantou, apenas travado pela França, campeã do mundo e futura campeã da Europa, no prolongamento da meia-final disputada em Bruxelas (2-1).

 

Exibição sem brilho num estádio ‘pintado de fresco’

O primeiro jogo da seleção na versão atual do Estádio D. Afonso Henriques ocorreu em Setembro de 2003, cerca de um mês e meio depois da sua reinauguração. No ativo desde 1965, o recinto sofreu obras de requalificação para o Euro 2004 entre o verão de 2002 e o verão de 2003, o que obrigou o Vitória a jogar uma época inteira, de boa memória para o clube, em Felgueiras.

O ‘novo’ D. Afonso Henriques reabriu ao público em 25 de julho de 2003, para o jogo amigável entre os vitorianos e os alemães do Kaiserslautern – triunfo português por 4-1 – e recebeu, em 06 de setembro, o duelo entre Portugal e Espanha, no âmbito dos amigáveis disputados pela seleção em alguns dos recintos nomeados para o europeu.

Já qualificado como país anfitrião da prova, Portugal não disputava qualquer competição desde o Mundial de 2002 e, num duelo ibérico presenciado por 21.176 espetadores, foi claramente derrotado por 3-0. Naqueles 90 minutos, a equipa de Figo, de Rui Costa, de Pauleta e do vimaranense Fernando Meira, que somou a 18.ª internacionalização, nunca colocou em causa o domínio de uma ‘roja’ que contava com jogadores como Raúl, Puyol, Xabi Alonso e Casillas e marcou por intermédio de Joseba Etxeberria, aos 11 minutos, de Joaquín, aos 64, e de Diego Tristán, aos 77.

Nove meses depois, a formação então treinada por Luiz Felipe Scolari vingou a derrota sofrida em Guimarães ao bater a Espanha por 1-0, com um golo de Nuno Gomes, no último jogo do Grupo A do Euro 2004, disputado em Alvalade. O resultado garantiu a passagem de Portugal aos quartos de final e a posterior chegada à final da prova.

 

No jogo mais decisivo, Portugal correspondeu

Seis anos depois, a equipa das ‘quinas’ regressou a Guimarães para encerrar a campanha de apuramento para o Mundial de 2010, na África do Sul; campanha essa cheia de percalços caseiros, como a derrota com a Dinamarca por 3-2, em Alvalade, e os empates a zero com a Suécia, no Dragão, e com a Albânia, no Municipal de Braga. A formação então treinada por Carlos Queiroz chegou a 14 de Outubro de 2009 já sem hipóteses de concluir o Grupo 1 no primeiro lugar e de obter o consequente apuramento direto para o primeiro mundial africano da história – esse feito coube à Dinamarca. Segundo classificado, com 16 pontos em nove jogos, mais um do que a Suécia, Portugal dependia apenas de si para manter o lugar e apurar-se para o ‘play-off’.

O último obstáculo do grupo era Malta, o adversário mais modesto, com apenas um ponto somado até então. Face à maior plateia que encontrou até hoje no D. Afonso Henriques (29.350 espetadores), Portugal fez valer no relvado o amplo favoritismo teórico e goleou a equipa mediterrânica por 4-0, com golos de Nani, aos 14 minutos, de Simão Sabrosa, aos 45, de Miguel Veloso, aos 52, e de Edinho, aos 90. A equipa titular contou com o médio vimaranense Pedro Mendes, que cumpriu a quarta internacionalização. Na segunda parte, Carlos Queiroz colocou no relvado o único jogador do Vitória então convocado: Nuno Assis substituiu Raúl Meireles aos 62 minutos para realizar a segunda e última partida pela equipa das ‘quinas’.

Após carimbar o ‘play-off’, Portugal venceu a eliminatória com a Bósnia e Herzegovina, com duas vitórias por 1-0, na Luz e em Zenica, tendo garantido a quinta presença em campeonatos do mundo.

 

Maré de golos sem final feliz

Depois de ter batido Malta, Portugal não demorou sequer um ano a regressar ao anfiteatro vimaranense. Foi o intervalo mais curto entre dois jogos da equipa no D. Afonso Henriques. Depois de um mundial em que ficara pelo caminho nos oitavos de final, marcado pela relação conturbada entre Cristiano Ronaldo e Carlos Queiroz – deixou de ser selecionador após a competição -, Portugal recebeu, em 03 de setembro, o Chipre, no primeiro encontro da fase de qualificação para o europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.

Quem esperava um triunfo fácil dos comandados de Agostinho Oliveira, em virtude da superioridade teórica face ao Chipre, enganou-se. O pouco público nas bancadas (9.100 espetadores) presenciou, ao invés, um carrossel com várias trocas no marcador e vários erros cometidos nos golos, sobretudo pelos jogadores lusos. Os cipriotas estiveram sempre no comando durante os primeiros 45 minutos, com golos de Aloneftis, aos três, e de Konstantinou, aos 11, aos quais Portugal respondeu com os remates certeiros de Hugo Almeida, aos oito, e de Raúl Meireles, aos 29. Os papéis inverteram-se na segunda parte, com Danny a fazer o 3-2 e Manuel Fernandes, com um grande remate, o 4-3. O Chipre, porém, ripostou e fez o 3-3, por Okkas, aos 57, e o 4-4 final por Avraam, aos 89.

Agostinho Oliveira deixaria a seleção quatro dias depois, após a derrota na Noruega, por 1-0. O treinador foi substituído por Paulo Bento, e a equipa subiu de rendimento, embora não a tempo de conseguir o primeiro lugar no Grupo H. Segunda classificada, com 16 pontos em oito jogos, a equipa das ‘quinas’ voltou a encontrar a Bósnia e Herzegovina no ‘play-off’ e mais uma vez apurou-se para a fase final do europeu, após uma vitória no Estádio da Luz, por 6-2.

Em 2012, Portugal chegou mais uma vez às meias-finais, tendo apenas sido afastado da final no desempate por grandes penalidades com a Espanha, depois do nulo verificado nos 120 minutos de jogo.

 

Derrota no primeiro duelo ibero-americano

A atribuição do estatuto de Cidade Europeia do Desporto a Guimarães, em 2013, ditou a realização de mais um jogo da seleção no D. Afonso Henriques. Em 06 de fevereiro, o estádio recebeu então o primeiro adversário não europeu de Portugal, o Equador. A seleção então treinada por Reinaldo Rueda falhara a presença no mundial de 2010, mas apurou-se para o mundial de 2014, no Brasil. Portugal, por seu turno, sentia dificuldades no seu grupo da fase de qualificação, após a derrota sofrida na Rússia (1-0) e os empates consentidos com Irlanda do Norte (1-1) e Israel (3-3).

Em Guimarães, face a uma plateia de 20.226 espetadores, a performance lusa esteve, mais uma vez, longe de ser brilhante. Portugal viu-se em desvantagem logo aos dois minutos, após um golo de Antonio Valencia, a principal figura do Equador, ainda hoje ao serviço do Manchester United. A turma de Paulo Bento ainda conseguiu a reviravolta, por intermédio de Cristiano Ronaldo, aos 23, e de Hélder Postiga, aos 60, mas viria a consentir mais dois golos: João Pereira marcou na própria baliza, aos 62, e Felipe Caicedo selou o resultado, aos 70. A partida contou ainda com a presença de um jogador vimaranense em campo: Custódio, médio que registou então a sétima internacionalização.

Em virtude das dificuldades que estava a sentir no Grupo F, Portugal foi mais uma vez segundo e teve de disputar, mais uma vez, o ‘play-off’ para encontrar o caminho para o Brasil. Conseguiu-o numa eliminatória em que Ronaldo brilhou mais alto: marcou todos os golos da equipa na vitória caseira por 1-0 e no triunfo por 3-2, em Estocolmo.

 

Lista de jogos

16/02/1983: Portugal 0-3 França

26/03/1999: Portugal 7-0 Azerbaijão

06/09/2003: Portugal 0-3 Espanha

14/10/2009: Portugal 4-0 Malta

03/09/2010: Portugal 4-4 Chipre

06/02/2013: Portugal 2-3 Equador

20/11/2018: Portugal – Polónia