À terceira é de vez

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A reunião da Assembleia Municipal vai para a terceira sessão. Sim, três sessões com a mesma agenda, preenchida por 70 pontos. Coisa pouca para quem acrescenta pontos para a agenda, num claro desrespeito pelos eleitos da assembleia municipal e com um claro desrespeito pelos assuntos que são levados a discussão e que têm o dia-a-dia dos vimaranenses como ponto central.

A assembleia municipal acontece-se quase sempre em duas sessões. Com muita discussão e questionamento a CDU vai-se mantendo firme no compromisso com os seus eleitores e no compromisso com todos os vimaranenses.

A agenda de Novembro ultrapassou todos os limites, com temas tão densos como a proposta de Regimento da Assembleia Municipal, o Plano e Orçamento Municipal para 2019, a votação das alterações das Taxas e Impostos, os Regulamentos da Vimágua, da Turitermas, da Tempo Livre, do Centro de Recolha Oficial e muitos outros. Caso se tivesse concretizado em duas sessões era sinal que o trabalho dos eleitos não tinha sido bem feito.

Não é possível discutir todos estes assuntos e muito outros de forma leviana, apenas levantando o dedo na hora das votações. Não foi pelo menos esse o compromisso que a CDU estabeleceu com todos os que nos confiaram o voto. Estamos activos e fizemos propostas para os diferentes assuntos em debate.

Colocamos à disposição do executivo a possibilidade de incluir as necessidades dos vimaranenses, sobretudo no Plano e Orçamento de 2019, mas o executivo camarário não fez caso das nossas propostas e continuou firme num caminho que tem pouco de sustentabilidade ambiental e de coesão territorial.

Ora, parece que o senhor presidente, que acusou a CDU de não conhecer o concelho vimaranense, está equivocado naquilo que são as necessidades das freguesias. Atenção que não defendemos a construção réplicas do Vila Flor, do Multiusos ou das Pistas Gêmeos Castro.

Para as freguesias pede-se a liberdade de criarem os seus próprios planos, de forma a responderem às necessidades. Não é necessário vilas Natal por todo o lado, nem árvores de Natal gigantes em cada canto ou quem sabe um hospital.

Mas é necessário que as populações tenham acesso à educação, cultura, saúde, justiça de forma equilibrada. Por isso, o passo mais importante será o da mobilidade, transporte público para que os serviços públicos estejam próximos de cada cidadão. E depois deixar que cada freguesia mantenha a sua identidade.  Mantenha o seu posto dos CTT, mantenha o centro de saúde, mantenha a recolha de lixo adequada, mantenha os espaços de cultura que sempre tiveram e que foram desaparecendo com a centralização cultural.

Não seria assim tão absurdo a construção de escolas profissionais ou de pólos universitários fora do centro da cidade, caso tivéssemos transportes adequados para que rapidamente nos deslocássemos. Fora do centro a habitação é mais barata, damos primazia aos pequenos mercados e mercearias, criam-se laços e trabalha-se na terra, pois mais facilmente se tem um pedacinho de terra. Adoptam-se animais e a vida faz-se de forma mais equilibrada, saudável e os comportamentos sustentáveis são aplicados.

Contudo, ficamos presos ao automóvel, ao preço dos combustíveis, aos impostos de circulação, ao isolamento. É urgente rever o conceito de uma cidade sustentável. Não basta termos políticas de educação de reciclagem e de respeito pelo ambiente, lâmpadas que gastam menos energia nos edifícios da responsabilidade da câmara ou uma frota de carros eléctricos para os funcionários camarários.

A população precisa de se sentir envolvida numa outra forma de vida de respeito pelo Planeta, pela Natureza. E só com a possibilidade de optar é que podemos evoluir. Na imposição não está o segredo.

E este Plano e Orçamento para 2019 continua um caminho de construção, de grandes projectos para o centro da cidade com a promessa de uma outra vivência na cidade e para a cidade.

As freguesias que estiquem a mão pode ser que caia uma esmola!

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.