Plano Municipal para a Igualdade de Género

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Na passada quinta-feira, realizou-se na Paço dos Duques, a apresentação do Plano Municipal para a Igualdade de Género que contou com a presença da Srª. Secretaria de Estado.

Os discursos foram de circunstância e de agradecimento às várias entidades que colaboraram na elaboração do plano, por um lado, por outro, não foram além do que tantas vezes se ouve na discussão deste tema, ou seja, estar atentos e intervir, mudando mentalidades e contribuir para o avanço da sociedade.

E claro, enaltecer o papel positivo e de vanguarda que Guimarães nestas e noutras matérias, estando sempre à frente!

Mas deixem-me fazer um reparo. Das várias instituições que colaboraram na elaboração do plano, no que toca às questões laborais, não foi ouvido nenhum sindicato o que poderia ter sido interessante.

Ora, na minha opinião, é no trabalho – e a par com a violência doméstica – que as mulheres se encontram numa posição mais frágil quando têm de se afirmar enquanto mulheres/esposas, quer enquanto força produtiva.

Enquanto Dirigente Sindical é me dada a conhecer uma realidade que por vezes nos escapa, senão vejamos:

O acesso a lugares de topo nas grandes empresas esta maioritariamente reservado aos homens, e não é porque tenham mais qualificação, mas porque querendo formar família, é a elas que cabe esse papel logo, isso obrigatoriamente fará com que venham a estar comprometidas com outras exigências;

No exercício das mesmas funções, regra geral, os homens auferem salários mais altos, contrariando a norma legal que diz que para trabalho igual, salário igual;

As mulheres são mais vezes vítimas de assédio sexual e moral por parte dos superiores hierárquicos, porque ainda se olha para as mulheres como um ser frágil e sem poder de oposição a esses abusos, valha-nos algumas excepções que servem de exemplo e mostram que somos cada vez menos o sexo fraco.

Há ainda um longo caminho, que tem de ter início principalmente na mudança de mentalidades a começar nas escolas do ensino básico, mostrando que não pode haver diferenças onde elas não existem.

Às autoridades policiais tem de ser dado incentivo para um trabalho que se quer com resultado prático, em vez de termos decisões judiciais que colocam os agressores em liberdade, deixando as vítimas numa situação em que a fuga é por vezes a solução para conseguir alguma paz.

No âmbito do trabalho, que haja efectiva aplicação das leis contra as várias discriminações, contribuindo para relações de trabalho mais equilibradas, que naturalmente irão contribuir para uma sociedade, que se quer cada vez mais igual nas suas varias vertentes.

A teoria é uma coisa, a prática revela que a realidade não a reflecte.

Esperemos que o Plano Municipal para a Igualdade de Género seja capaz de identificar as várias problemáticas do Município, no campo das desigualdades existentes, e possamos daqui por dois anos analisar esses dados.

Sónia Cristina Patrocínio Gonçalo Ribeiro, 43 anos, é coordenadora da concelhia de Guimarães do Bloco de Esquerda, membro da distrital do BE e presidente do CESMINHO- Sindicato do Comercio Escritórios e Serviços do Minho.