O Festival de Guitarra de Guimarães vai soar com o mais alto volume de sempre

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À quinta edição, o maior cartaz sempre. Inserido desde o ano passado na plataforma de guitarra clássica Eurostrings, o festival vai receber, entre 18 e 29 de Dezembro, concertos de instrumentistas consagrados, como Judicael Perroy e Brian Head, mas também atuações de guitarristas emergentes, alguns deles nacionais como Francisco Franco e João Robim. Mas também há espaço para o habitual Concurso Internacional de Guimarães, para as masterclasses e até para as comunicações de sobre música e políticas culturais.

A guitarra clássica começou a ouvir-se um pouco mais alto na paisagem artística vimaranense há cinco anos; a primeira edição do Festival Internacional de Guitarra de Guimarães (FIGG) incluiu um concerto do duo composto pelo grego Michalis Kontaxakis e pelo croata Dejan Ivanovic, duas masterclasses e o Concurso Internacional Cidade de Guimarães, que continua até hoje a premiar os guitarristas mais dotados aos olhos de um júri.

Em 2018, o instrumento continua com o som de sempre, mas ligado a um amplificador que o faz ecoar bem para além das paredes da Sociedade Musical de Guimarães, onde nasceu. No programa deste ano, apresentado nesta terça-feira, no foyer do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), continuam a figurar os concertos (um total de 15), as masterclasses (14), e o concurso internacional, das categorias A (até oito anos) à G (sem limite de idade), mas também há espaço para três conferências sobre música e para as sessões do programa Guitarra para Todos, dedicadas a pessoas que praticamente nunca tocaram o instrumento.

“Apresentamos, neste ano, a maior oferta e o maior programa de sempre. Teremos guitarristas, pedagogos e investigadores de renome mundial, de mais de 20 países, repartidos pela Europa, pela Ásia e pela América”, reiterou o criador e diretor artístico do festival, Nuno Cachada.

Dotado de um orçamento de 40.000 euros, garantido através do apoio da Câmara Municipal e do programa Europa Criativa, da União Europeia, o FIGG vai também levar o som da guitarra a mais pontos da cidade – nove, ao todo, incluindo o Conservatório de Guimarães, o CCVF, a Plataforma das Ares, o Paço dos Duques, a Associação Industrial e Comercial (ACIG), o Auditório Nobre da Universidade do Minho, a Patronato da Senhora da Oliveira e o Colégio Vila Pouca. A Igreja de Santo António dos Capuchos, incluída pela primeira vez no cartaz, vai mesmo ser o palco da abertura, a cargo do português André Madeira, num concerto marcado para as 19:00 do dia 18 de dezembro.

Mas os concertos estendem-se a todos os outros dias do festival, com exceção para a pausa que se estende de 23 a 25 de dezembro. Nesse lote, sobressaem as atuações do norte-americano Brian Head, diretor artístico da Fundação de Guitarra da América (GFA), a maior organização mundial de guitarra clássica, no dia 20 (Paço dos Duques, 21:00), do francês Judicael Perroy, que arrecadou precisamente o prémio de melhor solista na edição de 1997 do concurso da GFA (Paço dos Duques, 21:00), e o regresso à origem do festival, com o duo Kontaxakis – Ivanovic a ressurgir no dia 27, numa performance também marcada para as 21:00, mas na Universidade do Minho.

Mas o programa de concertos inclui também outros nomes portugueses como Francisco Franco e João Robim, guitarrista que deu um recital de cerca de 20 minutos no CCVF, após a conferência de imprensa, e nomes emergentes da plataforma Eurostrings: Giulia Ballaré e Simone Rinaldo, de Itália, Yuki Saito, do Japão, Katarzyna Smolarek, da Polónia, e Julia Trintschuk, da Alemanha.

Apesar das diversas geografias que Guimarães vai reunir, Nuno Cachada explicou que a influência de tais diferenças na forma como os guitarristas se expressam é minimizada pela globalização e pela facilidade com que hoje, por norma, se circula na Europa. “A plataforma Eurostrings é mais dedicada a alunos do ensino artístico especializado. Neste festival, tivemos apenas um concerto que fugisse a este estilo mais erudito. No futuro, pensamos abrir as portas a outros estilos”, explicou Nuno Cachada.

Concurso Internacional dá acesso à Eurostrings

O Concurso Internacional de Guitarra de Guimarães existe desde a primeira edição do festival. A adesão de cerca de 100 jovens guitarristas de todo o país motivou Nuno Cachada a pedir ao município apoio para “alargar a oferta formativa e o número de concertos”. No ano passado, o festival passou a ser o primeiro representante português na Eurostrings, plataforma que agrega 17 festivais de vários países europeus, e abriu horizontes para o concurso.

O vencedor da categoria G, aquela em que não existe limite de idade, vai poder levar a sua música a pelo menos oito dos 17 festivais da plataforma fundada no ano passado, na Croácia, pelo Festival de Guitarra de Zagreb e pela escola de música Bonar. A final desse concurso, agendada para as 21:00 do dia 29, no Auditório da Universidade do Minho, marca precisamente o encerramento do FIGG e conta com Brian Head como presidente do júri. Antes, no dia 22, o CCVF acolhe os concursos das categorias A a E. Já o concurso da categoria F e a eliminatória da categoria G vão decorrer em 28 de dezembro, dia igualmente marcado pelo início da reunião entre os membros da Eurostrings.

A reunião vai estender-se até ao dia 29 e a primeira de três que se vão realizar ao longo do calendário anual definido para os festivais, de novembro de 2018 e outubro de 2019. Esse encontro vai ser marcado pelas comunicações que vão decorrer aí. No primeiro dia, Carlos Martins, diretor executivo da CEC 2012, vai falar sobre marketing e turismo cultural, e Susana Costa Pereira sobre as novas iniciativas do programa comunitário Europa Criativa, no CCVF. No dia seguinte, o neurocientista vimaranense Tiago Gil Oliveira vai falar da relação entre a música e o cérebro, na ACIG. “Chegámos à conclusão que seria interessante falar não no que a música pode contribuir para o desenvolvimento do cérebro, mas naquilo que o estudo dos cérebros dos músicos pode contribuir para a compreensão do cérebro humano”, explicou Nuno Cachada.

Projetar lá fora o nome de Guimarães

A quinta edição do FIGG é coproduzida pela Oficina e apoiada pela Câmara Municipal. O presidente da Sociedade Musical de Guimarães, Vítor Matos, realçou que a colaboração do município neste evento, que gira em torno de um instrumento musical “muito tocado, muito falado, mas pouco estudado”, é uma evidência do “estreito relacionamento” entre as entidades, patente em outros projetos como o Cantânia e o Guimarães Clarinet Days.

O assessor do pelouro da Cultura na Câmara Municipal, Paulo Lopes Silva, afirmou que o festival, no que respeita à preponderância da guitarra clássica, é um “evento único no panorama nacional”, organizado por uma instituição que aposta muito nos projetos de formação musical desde tenra idade e que está aberta à integração de outros parceiros na cidade.

O diretor artístico da Oficina, Rui Torrinha, preferiu olhar para o FIGG como uma prova da força cultural da cidade no pós-2012. “O festival tem vindo a conquistar o seu espaço e o seu mérito. O festival incide muito na formação, sendo capaz de trazer o mundo a Guimarães, mas também de levar a comunidade artística local e regional lá fora”.