VOTOS PARA 2019

Embora 2019 seja um ano de muitos votos, com três eleições (Europeias, regionais da Madeira e Legislativas) ao longo dos próximos meses, não é desse tipo de votos que se pretende falar neste texto de hoje.

São outros votos.

Aqueles que normalmente se formulam no início de cada ano, sempre com a esperança que se cumpram, e que depois ao longo do tempo se vai aferindo do seu cumprimento ou nem por isso consoante as coisas se vão desenrolando.

Na passada semana formulei aqui alguns votos de índole política e agora é tempo de olhar para o desporto (hoje apenas para o futebol) e formular votos para aquilo que gostaria de ver cumprido ao longo de 2019.

Começando pela selecção nacional A que ainda por cima terá a responsabilidade de jogar em casa a fase final da Liga das Nações que que vai disputar com Suiça, Holanda e Inglaterra um troféu que se disputa pela primeira vez  e logo no nosso país.

E não só no nosso país como também em Guimarães onde se jogará uma espectacular(assim se espera) meia final entre Holanda e Inglaterra e depois o sempre ingrato jogo para atribuição do terceiro lugar.

O primeiro voto, por estranho que pareça, é que Portugal não jogue em Guimarães porque isso significaria não disputar a final e que por cá apareça a Suíça para defrontar o derrotado do jogo entre holandeses e ingleses.

O segundo voto, naturalmente, é que Portugal vença a competição e se sagre como primeiro vencedor de um troféu que dá agora os seus primeiros passos e que terá sempre um lugar especial na sua história para a selecção que o vença em primeiro lugar.

O terceiro e último voto, quanto à selecção, é que o imbróglio Ronaldo se resolva e ele passe a ser um jogador como todos os outros que é convocado quando o justificar (e ele justifica sempre em boa verdade) e fique de fora quando assim não for porque isso me parece importante quanto à estabilidade do grupo.

Passando ao futebol “doméstico” são necessárias duas palavras; uma para o Vitória e outra para o Moreirense, os dois principais clubes do concelho, que terão em 2019 desafios teoricamente diferentes mas que a “herança” de 2018 tem mostrado não serem tão diferentes assim.

Do Vitória espera-se um apuramento europeu, por via do campeonato ou da Taça, que é a sua obrigação miníma para cada época face à dimensão do clube, ao seu historial e à grandeza do apoio que recebe dos seus adeptos.

Entra em 2019 a lutar em duas frentes, campeonato e Taça, esperando-se que este Janeiro não traga desilusões em nenhuma delas para nos restantes meses poder alicerçar a sua candidatura europeia.

Sem perder de vista o Jamor onde se deseja que volte em Maio com maior eficácia e sucesso do que no passado domingo.

Em termos de Vitória o ano de 2019 será também fundamental noutras vertentes mas isso será assunto para futuro artigo que não é hoje o tempo de abordar essa temática.

Quanto ao Moreirense, a fazer a sua melhor primeira volta de sempre (neste momento a uma jornada do fim da mesma, curiosamente visita o Vitória nessa jornada que falta, segue em quinto lugar) tem a permanência praticamente garantida e poderá fazer uma segunda volta de absoluta tranquilidade o que merece assinalável registo.

Assim consolidando  o seu estatuto de clube de primeira divisão e mantendo Guimarães como o único concelho que não é capital de distrito a ter duas equipas na primeira liga.

Votos finais para duas realidades que envergonham o nosso futebol e cuja continuidade é uma vergonha e um escândalo cada vez maior.

Votos de que as equipas de arbitragem e o malfadado VAR façam um caminho que os leve no sentido da verdade desportiva e do fim deste tratamento de décadas em que três (às vezes quatro) clubes são tratados como filhos e os restantes como enteados pelos poderes do futebol.

E votos finais para que a comunicação social nacional, especialmente televisões e jornais desportivos, deixem de ser autênticas cornetas ao serviço desses três clubes e passem,ao menos, a respeitar todos os outros por igual.

E nessa matéria cabe aqui dizer que a sport-tv ,então, tem um longo caminho a fazer face à parcialidade, falta de rigor e verdade com que alguns dos seus comentadores analisam e comentam os jogos transmitidos no canal.

Será pedir muito que todos estes votos se cumpram?

Em Dezembro saberemos.

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.