A culpa de Bragança no desvario da oposição

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A oposição vimaranense (especialmente à direita) anda à deriva, mas a culpa é de Domingos Bragança. Não tenho dúvidas.

Começo este artigo com uma frase passível de choque. Não com essa intenção apenas, mas porque acredito piamente no que dela consta.

Domingos Bragança é Presidente da Câmara Municipal de Guimarães desde 2013. E é desde 2013 que se lhe conhece um estilo de liderança que deixa a oposição sem espaço para lugares comuns ou estratégias habituais. Concretizando: abertura, transparência e ambição.

Abertura quando se lhe conhecem momentos como o lançamento do debate em torno do Centro Internacional das Artes José de Guimarães ou as Festas Gualterianas. Não é de esperar de um Presidente da Câmara que se escolham dois temas onde aparentemente reconhece fragilidades, ou necessidade de melhoria, para os colocar no centro do debate político. Mas Domingos Bragança fá-lo, abanando com o estabelecido e deixando a cargo da força do poder a iniciativa de abertura ao debate público.

Transparência quando em matéria de projetos e obras para Guimarães, o atual Presidente da Câmara fala sobre cada uma delas nas suas mais diversas fases: a intenção, negociação, projeto, concurso, execução, etc. Se se assina um acordo com o Governo para a Via do Avepark e para a Rotunda de Silvares faz-se segredo do acordo? Se o projeto é apresentado pelas Infraestruturas de Portugal (nunca é demais lembrar que a obra não responsabilidade da Câmara) ao Município, os vimaranenses não merecem sabê-lo? Se durante 4 anos de Governo Passos Coelho não se tem resposta da IP quanto a esta matérias, os cidadãos não merecem estar a par?

Esta postura pode abrir espaço a discussão em torno das datas, mas não deixa margem quanto aos esforços do Município para resolver um problema que, não sendo da sua competência, tanto diz aos vimaranenses. Andamos todos a discutir calendários, quando até aqui não se conhecia sequer uma solução.

Por fim a ambição. Domingos Bragança sabe o que quer para Guimarães. E fá-lo de forma quase utópica, sonhando com um território ambientalmente sustentável, uma montanha da Penha rearborizada, uma Cidade de maior qualidade de vida ou com oferta diferenciada de que serão exemplos a Escola Hotel, o Teatro Jordão ou o Instituto Cidade de Guimarães.

Só que normalmente a ambição em política é acompanhada de calculismo e pragmatismo. Se queremos 100, anunciamos 50 e festejamos os 55 porque foi um sucesso. Domingos Bragança não tem medo de anunciar que sonha com 100 e coloca todas as suas forças para que, mesmo que só atinja 80, tenha conseguido ir para lá do que o imaginável pediria.

Esta ambição e ausência de calculismo coloca-o perante as exigências públicas do cenário utópico que começa por almejar. Mas essencialmente, coloca-nos a todos num patamar acima daquilo que o pensamento mais cauteloso seria capaz de prever. E isso é bom para Guimarães. Mas péssimo para a oposição…

Guimarães está no caminho certo. E a oposição vive muito mal com um estilo de liderança que os deixa à deriva, levando-os à utilização de linguagem pouco aconselhável ao espaço público e a uma escalada de acusações de quem se esforça por provar internamente a sua valia no pós de uma liderança que secou os partidos à direita de segundas linhas.

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.