Feira Afonsina e as eleições europeias

Hoje trarei dois assuntos. Foi noticiado que o executivo na pessoa da sua vice-presidente, acordou com a Sociedade Martins Sarmento e a Muralha, que a Feira Afonsina se realizará na zona mais próxima do castelo. Com o discurso de que é necessário inovar, põem a nu aquilo que os mais distraídos podem não ter percebido. O que se revela é a satisfação dos interesses hoteleiros, é isso que uma leitura desapaixona da notícia vem revelar.

E quando digo desapaixonada, é porque é mesmo, senão vejamos: da cultura, da história, dos usos e costumes daquela época, da forma como as pessoas viviam, o que é que disso é representado na feira Afonsina? Praticamente nada, o que se tem vindo a verificar ao longo destas edições é o comércio puro e duro, com barracas e barraquinhas que aproveitam para vender os seus produtos, mas que em nada nos remetem para tempos de D. Afonso.

O outro tema não poderia deixar de ser os actos eleitorais que se avizinham e aos quais seremos intimados a responder.

Embora os resultados na Madeira possam animar em certa medida os resultados das legislativas, considero estas, e as Europeias, as que mais atenção irão recolher. O Bloco de Esquerda, ao contrário do que a direita pode querer fazer crer, não se afastou dos propósitos que já tinha, quer na agenda europeia, quer na agenda nacional.

Face ao descrédito das instituições e do projecto Europeu, A União e os seus representantes multiplicam-se em ameaças. Perante o falhanço das políticas europeias vão-se afirmando alternativas à esquerda, com forte expressão em muitos países. Também em Portugal queremos aprofundar essa tendência.

O acordo inédito com um governo minoritário do PS reverteu algumas das medidas da Troika. O fim dos cortes nos salários e pensões, o crescimento do salário mínimo de 5% ao ano (ainda que abaixo de algumas expectativas), a reposição dos apoios sociais, o travar das privatizações, a diminuição do desemprego (embora em moldes que desejaríamos diferentes), vem demonstrar isso mesmo, que a esquerda é a alternativa à direita na luta por melhores condições de vida para os Portugueses.

Está tudo feito? Não, longe disso. O caminho é longo e tortuoso, principalmente por causa do fenómeno das notícias falsas e do aproveitamento que a extrema-direita faz, dos extremismos, das atitudes racistas e xenófobas que crescem por esse mundo fora e por cá também.

O desenvolvimento económico e social terá uma das suas alavancas na forma como o país e a Europa saibam pensar pela sua própria cabeça, não deixando que ela seja cortada pelo agravamento das ainda muitas desigualdades existentes. Combater a direita e manter o caminho do crescimento sem amarras é uma luta para a qual o Bloco de Esquerda diz presente.

Sónia Cristina Patrocínio Gonçalo Ribeiro, 43 anos, é coordenadora da concelhia de Guimarães do Bloco de Esquerda, membro da distrital do BE e presidente do CESMINHO- Sindicato do Comércio Escritórios e Serviços do Minho.