Conan e a internet

A internet fez esta terça-feira 30 anos. Para quem nasceu, cresceu ou viveu nestes tempos compreende a forma absolutamente transformadora como este meio de comunicação entrou nas nossas vidas.

Grande parte do nosso dia-a-dia hoje, quer ao nível pessoal, quer ao nível profissional, é dependente de algo que não existia há 30 anos. Uma revolução comparável com as três revoluções industriais comumente assumidas.

Hoje estamos mais próximos, mais eficazes, mais rapidamente ligados à informação e mais capazes de facilmente produzir e guardar memória futura.

Mas nem tudo o que chegou com esta revolução será positivo, como em outros momentos comparáveis da história. Pego, para o caso, nas redes sociais, na sua utilização e na recente vitória de Conan Osiris no Festival da Canção.

Não perderei uma palavra a discutir a valia do artista ou da sua obra, porque não é relevante para a discussão que pretendo levantar. Falo na aparente esmagadora rejeição do seu trabalho nas caixas de comentários, das notícias que se seguiram aos resultados.

Para muitos, hoje a rede social é um barómetro de aceitação e molde da ação de quotidiano. Mas se pararmos para perceber que apesar dos milhares de comentários (até) insultuosos, o cantor venceu esmagadoramente a votação do público, entenderemos que o protesto de teclado nem sempre corresponde à opinião da maioria.

É, aliás, cada vez mais evidente que a larga maioria de quem se dedica aos comentários nas caixas para o efeito das redes sociais, o faz para criticar negativamente, atacar de forma feroz e destruir olimpicamente.

Este efeito ganha uma outra expressão acrescida, quando supostos movimentos sociais e autoproclamados líderes dos mesmos, apelam ao povo português para que “acorde” e se junte ao coro de indignados. Mesmo que em causa esteja um concurso de televisão.

Terão parados os indignados para pensar que essa maioria silenciosa poderá ter opinião diversa ou até não ter opinião sobre a matéria por lhe ser indiferente?

Tenhamos a devida reserva e contenção quando analisarmos as reações nestes meios de comunicação. Dificilmente exprimem a vontade coletiva e só muito raramente mostram verdadeira tendência.

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.