EUROPEIAS

Como a marcha do tempo é tão regular quanto inexorável eis que estamos na semana que antecede as eleições para o Parlamento Europeu.

Passou depressa a pré campanha e mais depressa ainda a campanha algo submersa também, é a verdade dos factos, em acontecimentos de outro género como a audição de Joe Berardo no Parlamento ou a incessante subida do preço dos combustíveis no tempo de um governo que tinha jurado o fim da austeridade.

A campanha, essa, ficou marcada do meu ponto de vista pela discriminação em termo de debates feita pelas televisões a uns partidos em favorecimento de outros, pela absoluta incapacidade de os partidos com eurodeputados eleitos em 2014 discutirem temas europeus e pela ridícula comparação entre alguns eurodeputados de quem tinha feito mais em Bruxelas e Estrasburgo na absurda convicção de que alguém ligará alguma coisa a tão doutas opiniões formuladas em causa própria.

Importará ainda assim dizer mais duas ou três coisas.

A primeira é que eleições passadas não garantem votações futuras pelo que é ridículo e nada democrático proceder a uma divisão de partidos entre os que em 2014 elegeram eurodeputados e os que não o fizeram sendo que nalguns casos como por exemplo a Aliança, a Iniciativa Liberal e o Chega nem sequer existiam nessa altura pelo que é impossível dizer hoje qual a sua expressão eleitoral.

Em 26 de Maio tendo esses partidos muitos, alguns ou poucos votos aí sim será possível olhar para eles com uma bitola de comparação idêntica aquela que se usa para os que andam nisto há mais de quarenta anos (ou quase…) e foram provando o que valem e o que não valem em sucessivos actos eleitorais.

Por isso o critério das televisões de promoverem debates de primeira (com os que já tem eurodeputados mas excluindo , curiosamente, o MPT que elegeu dois) e debates de segunda com aqueles que no passado não elegeram,ou nem existiam, mas podem muito bem eleger agora se revela como profundamente anti democrático e que devia envergonha as televisões que embarcam nessa discriminação que distorce a verdade da eleição.

Quis o destino, ironia das ironias, que os melhores debates sobre temas europeus, afinal os que vão estar em jogo no próximo domingo, tenham sido precisamente aqueles que decorreram entre os partidos sem representação parlamentar cujos candidatos deram ao país um excelente exemplo de respeito pelo móbil das eleições mesclado com uma tolerância democrática que lhes permitiu debaterem entre eles com civismo, boa educação e sentido de humor.

Que diferença, mas que diferença, face aos debates a que se assistiu entre os partidos do “sistema” cheios de gritaria, de acusações, de intolerância e no mais absoluto desprezo pela Europa e pelos temas europeus.

Caso para dizer que enquanto os partidos de “segunda” protagonizaram debates de primeira os partidos de “primeira” protagonizaram debates de…décima quinta categoria.
O que nos leva ao cerne da questão.

Em toda a Europa temos assistido a uma fragmentação dos partidos tradicionalmente hegemónicos dando lugar a novos partidos, novos rostos e novas ideias que tem vindo a enriquecer o panorama político e dado aos eleitores uma mais ampla gama de escolhas face à monotonia do passado.

Sabemos que as modas a Portugal demoram a chegar…mas chegam.

E por isso no próximo dia 26 os portugueses terão uma boa oportunidade de alinharem com a tal Europa a que todos nos queremos igualar e alargarem o leque partidário presente em Bruxelas/Estrasburgo na certeza de que com isso beneficiarão Portugal.
Pela parte que toca à Aliança estamos de consciência tranquila com o contributo que demos para essa modernização do panorama político apresentando uma lista homogénea na qualidade e heterógenea na procedência profissional do candidatos e nas regiões do país que representam.

Paulo Sande é reconhecidamente um grande especialista em questões europeias a que dedicou boa parte dos seus últimos trinta anos, Maria João Moreira é uma empresária de sucesso com negócios na Europa e que reside boa parte do seu tempo em Itália, Bruno Ferreira da Costa é professor de Ciência Política na Universidade da Beira interior e um quadro político de enorme futuro e o resto da lista alinha por esse diapasão.

Gente preparada, conhecedora dos temas, com profissão fora da política e disponível para ajudar o seu país.

Bem farão os portugueses se lhes derem um voto de confiança no próximo domingo.
Estou absolutamente certo que não se arrependerão e que esse voto será durante cinco anos posto ao serviço de Portugal.

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente. É director executivo do partido Aliança desde Outubro de 2018 e foi recentemente reconduzido para um mandato de três anos.