Análise às Eleições Europeias 2019

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A Europa foi a eleições no último fim-de-semana. Portugal, como parte desse grande projeto de Paz, não foi exceção e cerca de 3 Milhões de pessoas deslocaram-se às urnas a votar.

A primeira nota deste artigo é, precisamente, para a participação. É claramente insuficiente e há motivos para isso. Contudo, não queria deixar de reforçar alguns aspetos positivos como o crescimento factual dos votantes, relativamente a 2014, a desmaterialização dos cadernos eleitorais e voto eletrónico em algumas freguesias piloto, e as novas possibilidades de voto antecipado. O aprofundamento de algumas destas matérias poderá levar a uma maior participação dos cidadãos, que é urgente.

De entre os motivos da possível justificação para o afastamento de cerca de 65% dos eleitores deste ato eleitoral, julgo que a falta de identificação generalizada com o projeto europeu, as suas instituições e a capacidade dos partidos em transmitirem a verdadeira importância das Europeias para Portugal, estarão no topo de um conjunto alargado de motivos.

Seria importante que a campanha tivesse sido mais dirigida para a especificidade do ato eleitoral em causa, trazendo propostas concretas e o esclarecimento sobre o papel de Portugal no contexto Europeu.

A Europa não é um conjunto de instituições que debitam leis para o nosso país. Portugal faz parte da constituição de todos os órgãos: quer por um Comissário Europeu, por membros do Governo no Conselho ou deputados europeus no Parlamento. Nós Somos mesmo Europa, e aí foi feliz o slogan do PS.

Da mesma forma, falamos em Europa quando falamos de coisas tão importantes como o programa Erasmus ou Programas Operacionais de Financiamento em várias áreas, ou de coisas tão abrangentes como a legislação sobre os direitos de autor ou utilização de plástico. Estes deviam ser motivos mais do que suficientes para nos fazer interessar sobre quem serão os nossos representantes no Parlamento Europeu ou o futuro Presidente da Comissão Europeia.

A segunda nota é sobre os resultados nacionais.

Os grandes vencedores da noite são, naturalmente, o PS porque venceu (com subida em relação às Legislativas e uma vitória pouco habitual em partidos que estão no Governo, com 10 pontos de diferença para o PSD), o BE porque reforçou quer a votação quer o número de mandatos, e o PAN que tem pela primeira vez um deputado Europeu.

Do lado dos grandes derrotados, toda a direita portuguesa e a CDU. Rio e Cristas continuam sem convencer na liderança de PSD e CDS, respetivamente, e têm um resultado historicamente baixo. Ambos, mas com maior preponderância no caso do CDS, optaram por uma campanha sem propostas, mas com muitos ataques e acabaram a pagar um preço alto. A Aliança falha a eleição de um deputado europeu e tem a nível nacional só cerca de três vezes mais do que os votos que Santana teve em diretas internas do PSD, o que mostra bem que, como figura nacional, já não valerá aquilo que imaginaria.

A CDU, dá continuidade aos resultados das Autárquicas, e não consegue superar a posição difícil em que se colocou no suporte deste Governo. Querer estar e não estar ao mesmo tempo, aparentemente não dá resultados. Talvez fosse bom olhar para o seu quadrante político e perceber o que de bem tem feito o BE para, no mesmo suporte à “Geringonça”, se estar a sair tão bem eleitoralmente. Perdem também eleitores para o PAN que assume, ainda que com algum populismo, a posição que caberia ao PEV, que continua a ser apenas um apêndice do PCP, sem espaço político autónomo.

Uma última nota para os resultados em Guimarães. Votaram, números redondos, mais 1000 pessoas, tendo o PS subido o dobro deste valor. PSD e CDS estagnaram, PCP perde 2000 votos e BE e PAN sobem à custa dessa descida e do desaparecimento do fenómeno Marinho Pinto do MPT.

O PS tem a maior vitória eleitoral dos grandes municípios em que é poder, em Guimarães, e vence 47 das 48 freguesias ou Uniões. Um partido mobilizado, com militantes e simpatizantes por todo o território concelhio.

Um resultado eleitoral que, mesmo tratando-se de uma eleição de cariz muito diferente, deixa uma mensagem inequívoca de implantação eleitoral, e um prémio a uma campanha com tanta presença de candidatos e esclarecimento eleitoral. Uma vitória da democracia, como se impõe.

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.