ELEIÇÕES

Duas caras banner copiar

Era minha intenção escrever hoje sobre os resultados das eleições europeias analisando cada partido, o todo nacional e as perspectivas que se abrem (ou fecham) para o futuro de cada uma das forças políticas.

Realçando no caso da Aliança, aquele que obviamente mais me interessa, que embora o resultado tenha ficado aquém do esperado não é isso que nos fecha as portas do futuro como em poucos meses se comprovará.

Mas é sobre outras eleições o tema que hoje escolhi.

Escrevendo num jornal de Guimarães, para uma maioria de leitores vimaranenses e vitorianos, é naturalmente sobre o Vitória que se debruça esta crónica desta semana face à surpreendente demissão da direcção do clube esta segunda-feira anunciada.

Devo dizer que fiquei completamente surpreendido pela decisão tomada.

Eleitos há cerca de um ano e acabado de conseguir um apuramento europeu nada fazia prever que Júlio Mendes e restante direcção resolvessem bater repentinamente com a porta mergulhando o clube num período de incerteza sem o qual passava muito bem e do qual ninguém pode prever como sairá.

Não falei com nenhum dos demissionários, cuja decisão respeito devo dizê-lo desde já, para perceber mais do que aquilo que foi dito em conferência de imprensa e que me parece francamente insuficiente para justificar tão drástica decisão.

É verdade que desde as eleições se instalou um clima desagradável, digamos assim, entre alguns sectores associativos compostos por pessoas mais emotivas e que nunca conseguindo sair do clima eleitoral  mantiveram uma disputa sem sentido que depois passou para as bancadas e se reflectiu nalguns jogos.

Mas quem dirige o Vitória sabe que no nosso clube as coisa são assim, vive-se com paixão e às vezes para lá disso, e a união da massa associativa faz-se com resultados e com atitudes, com liderança e afirmação de valores, com a exaltação positiva do orgulho vitoriano.

E nesse aspectos houve falhas várias, desde uma época desportiva fraca (que nem o apuramento europeu disfarça) com descida de divisão da equipa B, fracos resultados nos sub 23  e formação, com a pior temporada do basquetebol dos últimos dez anos e por aí fora passando por uma crónica e raras vezes contrariada falta de afirmação da nossa razão perante as injustiças que nos eram feitas a par da incompreensão face alguns negócios feitos na área do futebol  de difícil percepção.

E tudo isso pesou na insatisfação que se sentia alastrar de dia para dia e de jogo para jogo da primeira equipa.

Era um facto.

Mas que com meia dúzia de decisões acertadas ainda era passível de ser invertida porque acredito que uma larga maioria dos vitorianos estava mais interessada na  paz social e no sucesso desportivo do que em continuar com a idiota discussão dos 52% versus 48%.

Não quis a direcção insistir e preferiu desistir.

Percebo que forma sete anos difíceis, em especial os primeiros, de imenso desgaste, problemas para resolver e dificuldades imensas para ultrapassar e tudo isso cansa, causa incompreensão face à contestação, cria vontade de bater com a porta.

Mas acho, sem querer ser juiz em causa alheia, que mesmo assim não deviam ter tomado a decisão nesta altura da época face aos danos que isso pode causar à preparação da próxima temporada.

Mas tomaram-na e agora há que preparar o futuro.

E sobre ele, nesta altura em que ainda há muita poeira no ar, não quererei adiantar muito.

Direi apenas o seguinte:

Espero que os futuros candidatos partam em condições de absoluta igualdade e que encontrem uma situação financeira compatível com aquilo que tem sido dito para que não existam sombras quanto ao futuro.

Desejo que os vitorianos que perdem tempo com isso deixem de vez a estúpida querela dos 52% contra os 48% porque poucas coisas fizeram tão mal ao Vitória nestes últimos anos como essa disputa sem sentido nem interesse para o clube.

Finalmente não sei se não seria do interesse do Vitória a marcação de eleições para Setembro, com a época desportiva já em andamento normal, sendo o clube até lá gerido por uma comissão administrativa(com o indispensável acordo da direcção demissionária e dos accionistas da SAD) que preparasse sem pressões de qualquer tipo a próxima temporada.

É uma situação pouco normal mas ainda recentemente o Sporting foi por esse caminho e não se deu mal com ele.

Claro que os membros dessa comissão administrativa teriam de assumir o compromisso de não serem candidatos aos orgãos sociais nas próximas eleições de molde a garantirem absoluta independência no exercício de funções.

É uma ideia apenas mas que talvez merecesse ponderação por parte de quem vai decidir.

A bem do Vitória.

P.S. Não gostei nada da imagem que foi passada do Vitória, no discurso de demissão,  como um clube que “vive em constante guerrilha, intriga e insultos”

Não creio que seja assim , pese embora aqui e ali tenham existido inegáveis excessos, nem vejo ganho de causa para o Vitória em dele ser passado esse tipo de imagem.

Já bem bastam os rótulos que de vez em quando a comunicação social nos quer colar!

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente. É director executivo do partido Aliança desde Outubro de 2018 e foi recentemente reconduzido para um mandato de três anos.