OLHAR O DISTRITO

Em Portugal a divisão do país em distritos já para pouco mais serve do que para dar corpo aos círculos eleitorais com base nos quais se disputam as eleições legislativas e escolhem os deputados que ,em teoria (porque a prática não é tanto assim) , irão representar no Parlamentos os cidadãos que votam nesses círculos.

Fora isso, e depois da desgraçada medida que pôs fim aos governos civis que de alguma forma ainda davam uma certa consistência ao espaço distrital, faz cada vez menos sentido olhar para os distritos como uma organização administrativa que faça algum sentido.

Com as novas realidades que vão das áreas metropolitanas às associações de municípios é cada vez mais comum ver cada concelho trata da sua vida onde lhe dá mais jeito e já não no velho espaço distrital em que outrora se encontrava rigorosamente circunscrito.

Não valerá a pena discutir hoje a regra e esquadro em que foram criados os distritos, com uma falta de lógica de bradar aos céus nalguns casos, mas recordarei sempre as sábias palavras de D.Jorge Ortiga (arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas) num tempo em que eu ocupava o cargo de governador civil e ele me dizia meio a sério meio a brincar que a diocese “dele” era maior que o “meu distrito”.

Porque Póvoa de Varzim e Vila do Conde fazem parte da diocese de Braga, e muito bem, mas administrativamente pertencem, e muito mal, ao distrito do Porto.

O que prova que a regra e esquadro da Igreja católica era bem mais acertados que os do Estado.

Mas as coisas são o que são, os distritos não fogem a essa regra, e por isso Braga estende-se das praias de Esposende até às montanhas de Cabeceiras de Basto no sentido Oeste-Este e da beleza idílica de Terras de Bouro aos concelhos industriais de Guimarães, Famalicão e Vizela passando pela cada vez mais cosmopolita Braga no sentido Norte-Sul.

Sem esquecer as regiões agrícolas de Vila Verde , Amares e Barcelos, a transição das regiões industriais para as agrícolas em Fafe, o mundo rural de Celorico de Basto e Vieira do Minho e uma Póvoa de Lanhoso a meio caminho entre os grandes centros urbanos de Braga e Guimarães e o parque natural (e nacional) da Peneda-Gerês.

Um distrito em que convivem diferentes realidades, problemas muitíssimo diversos, que requer a atenção do Estado em múltiplas frentes e que necessita de ter junto desse mesmo Estado interlocutores que conheçam muito bem essas diferentes realidades.

Porque sendo o terceiro distrito do país em termos de número de habitantes, que se aproximam cada vez mais do número mágico do milhão, naturalmente que todas as vozes são precisas, dentro de uma multiplicidade que a democracia proporciona, para promoverem uma defesa eficaz dos interesses dos catorze concelhos dos distritos.

Foi essa a minha primeira preocupação quando decidi aceitar o honroso convite do meu partido para encabeçar a lista de candidatos a deputados por Braga.

Em primeiro lugar perceber se me sentia preparado, vinte anos depois de ter sido deputado pela primeira vez, para voltar a defender com o mesmo empenho, o mesmo interesse, o mesmo conhecimento de causa uma realidade tão intensa e interessante como a do nosso distrito.

Nele tendo sempre residido, primeiro em Guimarães e actualmente em Esposende, mesmo que na actualidade também resida em Lisboa por força das responsabilidades nacionais que tenho no partido Aliança concluí que continuo a conhecer muito bem o distrito que representei em duas legislaturas como deputado e no qual ocupei o cargo de governador civil que me deu um conhecimento inigualável de todas as suas realidades.

Por aí tudo bem.

A segunda questão era saber se num partido tão recente, e portanto ainda numa fase de crescimento, conseguiria reunir em meu torno uma lista de candidatos que representassem bem a generalidade dos concelhos e que na sua diversidade de origens e ocupações profissionais constituíssem um mosaico tão representativo quanto possível da nossa realidade distrital.

Uns militantes do Aliança, outros independentes, uns vindos de outras forças partidárias e outros ainda que nunca tinham tido participação política de qualquer espécie que não fosse o exercício do direito (e do dever) de votarem.

Felizmente consegui e por isso tudo bem também nesse aspecto.

Considero, desta forma, estarem reunidas as condições para em 6 de Outubro a Aliança levar a votos uma lista que possa merecer a confiança dos eleitores do distrito de Braga e eleger deputados capazes de representarem bem o distrito e os seus habitantes.

Assim sendo…vamos a isto!

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente. É director executivo do partido Aliança desde Outubro de 2018 e foi recentemente reconduzido para um mandato de três anos.