As festas da cidade

Nos últimos anos muito se tem falado das festas da cidade, as Gualterianas. Ano após ano perdiam o brilho, perdiam o número de visitantes e sobretudo o número de iniciativas. Ano após ano, ouviam-se as queixas dos vimaranenses que, desiludidos com as festas da sua cidade, demonstravam nos mais variados locais a sua tristeza.

Enquanto eleita da CDU na Assembleia Municipal fiz sempre questão de levar este desagrado sentido nas ruas e que nos chegava, sempre que se aproximavam as festas, dos vimaranenses. Muitas foram as intervenções que fizemos e os artigos que escrevi sobre o assunto.

Hoje volto a ele. Hoje volto às Gualterianas, pelo apego que tenho a estas festas municipais e sobretudo para dar voz àqueles que tentam em vão que o executivo municipal devolva as tradições à cidade.

Ainda há bem pouco tempo o senhor presidente da Câmara Municipal de Guimarães, gritava bem alto (sim, às vezes grita um pouco) que as festas estavam no lugar certo mesmo atrás da Igreja do santo padroeiro e por isso não compreendida as críticas de quem afirmava que, qualquer dia, os divertimentos teriam lugar na freguesia da Costa. Estavam cada vez mais metidos no largo em terra perto do teleférico e, como consequência, alguns feirantes recusavam-se a vir às festas de Guimarães apesar de terem essa como uma tradição que cumpriam religiosamente há anos.

A feira de artesanato desapareceu da Alameda, depois de uma passagem rápida pelo Multiusos. E assim já não se festejavam da mesma maneira as noites quentes do fim de Julho e início de Agosto. As pessoas não passeavam mais nas ruas ao encontro de familiares, amigos e conhecidos que só apareciam por esta altura.

As Gualterianas foram perdendo o brilho e, para 2019, o executivo camarário decidiu fazer, mais uma vez, uma experiência. Depois de tanta certeza que os divertimentos estavam no lugar certo atrás da igreja de São Gualter, dá o dito por não dito e afinal os divertimentos estão bem é na Avenida Alfredo Pimenta, que fica tudo menos perto do lugar onde repousa o santo celebrado.

Está de volta a feira de artesanato e as iniciativas agendadas acontecem um pouco por toda a cidade.

E assim voltamos ao posso, quero e mando, o espaço da festa não continuará a subir a encosta, mas também não voltará ao seu lugar de origem. Isto de disfarçar que se ouve o povo e que estão atentos é uma virtude. Assim a ideia é experimentar, se não resultar logo se vê ou aponta-se o dedo aos vimaranenses, dizendo que nunca estão bem e que tudo se faz mas nunca se agrada.

As ruas onde os feirantes eram colocados, o espaço onde os divertimentos tinham lugar não modificaram assim tanto. Com uma solução ou outra era necessário interromper o trânsito, era necessário incomodar os habitantes das zonas, era necessário desagradar a uns para agradar a tantos.

Vamos aguardar e perceber o que acham os vimaranenses desta mudança tão radical e tão afastada do local de culto.

A experiência da Afonsina não correu bem, já foram feitas promessas de melhoramento para o ano, mas fica a questão: Devemos avançar ou retroceder?

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.