Que Férias queres ter?

Estamos naquela altura do ano que muitos de nós já foram, vão de férias, ou estão de férias neste momento.

Se perguntar a cada um de vocês que férias querem ter, muito provavelmente vão surgir respostas do género: “descansar”; “não fazer nada”; “desligar”; “bronzear”; “ler um livro cuja leitura ando a adiar há muito”; “estar mais tempo com os meus filhos”; “não me preocupar com nada”; “conectar-me mais com os meus filhos”; “não me chatear tantas vezes” …

E, se vos perguntar, se no final das férias a sensação foi de satisfação, se efetivamente conseguiram atingir tudo aquilo a que se propuseram, que imaginaram, alguns de vocês certamente diriam: “Não! Correu tudo ao contrário do que pretendia! Zangas todos os dias… com filhos, companheiros, outras pessoas…”; “Os miúdos não colaboraram”; O tempo não ajudou”; “Soube a pouco! Quando estávamos a entrar todos no ritmo das férias, acabaram”…

Como percebo e me identifico com isso! A verdade é que se alterar a forma como lido com estes sentimentos de frustração, de zanga, de descontrolo, de desconsolo, provavelmente poderei ter umas férias mais agradáveis, mais harmoniosas, com maior usufruto. Para mim, o segredo está na definição da intenção para as férias. O que realmente quero que aconteça nestas férias? Só desta forma consigo perceber as necessidades, planear o que fazer para as satisfazer e escolher a melhor estratégia para as colocar em acção.

Partilho convosco (e porque quando temos um objetivo, se o partilhamos, ele ganha mais força e cria em nós um sentimento maior de compromisso) o que pretendo para estas férias, com esperança que vos sirva de alguma inspiração:

Juntamente com o meu marido perceber, e definir previamente: o que podemos fazer juntos para que as férias sejam agradáveis? Antecipar eventuais dificuldades e perceber de que outra forma poderíamos fazer isto? Como podemos lidar com isto? Se queremos que as crianças colaborem connosco, temos primeiro de dar o exemplo, de lhes demonstrar a nossa capacidade de colaborar.

Sempre que algo pareça fugir ao meu controlo (sim, eu tenho esta necessidade de ter tudo sob controlo!), vou perguntar-me: “O que é mais importante agora?” E aqui podem estar na balança várias coisas: cumprimento de horários de rotinas, refeições, sonos, a forma como se sentam à mesa, a forma como se vestem, etc. É mais importante o cumprimento destas “regras” ou a minha relação com as minhas filhas e o meu marido? É mais importante fazer valer a minha vontade e convicção, ou a conexão com eles e aproveitar este momento para realmente estar com eles? Estar plenamente, realmente com elas; observar e estar atenta às suas necessidades.

Vou contar-lhes histórias de quando tinha a idade delas (ou aproximada) porque sei que desta forma se sentem reconhecidas, ouvidas, compreendidas. Todos nós temos memórias/histórias para contar de como nos sentíamos quando eramos crianças, de como vivíamos tudo intensamente, de como era tudo uma questão de vida ou morte, de como nos sentíamos instáveis e não sabíamos como lidar com este turbilhão de emoções, de como achávamos que os nossos pais eram chatos e injustos…

Vou tirar efetivamente férias da gestão familiar, da correria, das regras diárias, de estar preocupada com tudo, com todos, com o que vão vestir, comer, se vão dormir horas suficientes, não se exporem ao sol nas horas perigosas. Deixar os outros assumirem as rédeas, deixar as miúdas assumirem as rédeas.

Entrar mais nas brincadeiras, rir mais vezes, comer gelados, batatas fritas, pizzas e dispensar a sopa algumas refeições. Beber 1 copo ao almoço e esquecer o papel de mãe, cuidadora, esposa, gestora, por uns minutos todos os dias.

No fundo vou trabalhar a minha flexibilidade e as atitudes de mindfulness: “Não Julgamento”, Paciência, “Mente de Principiante”, Confiança, “Não esforço”, Aceitação, “Deixar ir”, Gratidão e Generosidade (prometo um dia me debruçar mais sobre elas).

E tu, que férias queres ter?

Sónia Lopes, 35 anos, é Psicóloga Clínica, Hipnoterapeuta, Coach e facilitadora de Parentalidade Consciente. Fundadora do SeMente – Centro de Desenvolvimento Pessoal, sempre se dedicou ao desenvolvimento pessoal (seu e dos outros) e hoje abraça a mais desafiante profissão de todas: ser mãe. Irá partilhar connosco a sua visão acerca da Parentalidade.