Legislativas 2019: uma previsão

Tal como prometido no último artigo, regresso hoje ao tema das eleições Legislativas. Estas são eleições especiais para Guimarães: 3 cabeças de lista e 11 candidatos a deputados entre PS, PSD, CDS, CDU e BE, apesar de Mariana Silva estar candidata por outro círculo eleitoral. Estes ingredientes trazem para o nosso concelho alguma centralidade do debate e, possivelmente, uma representatividade posteriormente superior, na Assembleia da República e, quem sabe, no Governo.

Dos três cabeças de lista, só dois parecem estar em condições de serem eleitos. Não só a fazer fé nas sondagens, mas, também, pela tradição eleitoral do nosso distrito. É mais do que certo que Sónia Fertuzinhos e André Coelho Lima estarão em Lisboa no dia 6 de outubro. Luis Cirilo, fruto do previsível resultado pouco expressivo da Aliança, será mais provável que continue por cá.

Em lugares semelhantes, mas com potencial de eleição diferentes estão Luís Soares e Emídio Guerreiro. O líder do PS Guimarães será eleito muito mais cedo do que em 2015 (quando foi eleito já durante a madrugada) enquanto que o já histórico deputado do PSD poderá este ano experimentar essa sensação. O sétimo deputado do PSD prevê-se que venha mesmo a ser um dos últimos da noite. E este é um facto digno de registo: o PSD arrisca não eleger a experiência de Emídio Guerreiro, tendo por garantida a eleição de André Coelho Lima.

Totalmente diferentes são as possibilidades do terceiro elemento de PS (Nélson Felgueiras) e PSD (Ana Margarida Teixeira), e das candidatas Sónia Ribeiro (BE), Rosa Guimarães (CDU) e Ângela Oliveira (CDS). De todos estes, apenas Nélson Felgueiras tem uma possibilidade real de chegar à Assembleia da República. O PS poderá disputar entre 9 a 10 mandatos e, acreditando que constituirá Governo, poderão sair 2 a 3 elementos desta lista para outras funções, abrindo espaço à ascensão do atual líder da distrital da JS e Presidente da Comissão Nacional daquela organização.

Do que me diz respeito, está mais do que decidido: quem recupera rendimentos, investe na mobilidade, reforça a Escola Pública e mantém contas certas, merece fazer o que ainda ficou por fazer melhor. Com ou sem Geringonça, mas com o PS a liderar o próximo Governo de Portugal, claro está.

Uma última nota para recuperar o artigo da última semana. Na dualidade entre a política de sofá da Concelhia do PSD e da atividade mais visível e moderna do agora cabeça-de-lista e ex-líder local, conhecemos agora uma nova fase: O comunicado presencial (vá lá!) sobre a Rotunda de Silvares, num local onde há menos de meio ano fizeram precisamente o mesmo número. Com uma diferença grande: desta vez André Coelho Lima apareceu ao lado de Bruno Fernandes e colocou, finalmente (!), a tónica do lado certo. A obra não é responsabilidade do Município e culpa o poder nacional pela sua não execução.

É pena que não o tenha explicado ao seu sucessor local, para quem ficaram os remoques concelhios, e não se tivesse lembrando disso quando o próprio protagonizou uma abordagem diferente, enquanto candidato à Câmara em 2017.

Uma coisa parece certa: André Coelho Lima já não está focado na Câmara de Guimarães. De tal forma que até já sabe não colocar-lhe as culpas, daquilo que não tem responsabilidade.

Foi rápida a transição para as novas funções…

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.