Autárquicas 2017

Sem que se dê muito por elas, pelo menos em termos mediáticos, as eleições autárquicas vão-se aproximando pé ante pé e pouco tarda para que os partidos estejam a apresentar as suas listas de candidatos.

Quando se fala em autárquicas, em leitura dos seus resultados, no quem ganha e quem perde a leitura nacional das mesmas é de cariz “futebolístico” porque parece que o que conta são as grandes câmaras de Porto e de Lisboa enquanto o resto do país parece ser apenas uma soma de belas paisagens.

A mim, que noutros tempos também já andei por essas “guerras”, interessam-me hoje particularmente as câmaras do nosso distrito e muito especialmente a de Guimarães, como é bom de ver.

E no que a câmaras do distrito concerne qual é a situação a pouco mais de seis meses das eleições?

Muito melhor para o PSD que para o PS.

Porque em catorze câmaras, liderando o PSD sete e o PS as outras sete, a situação é claramente mais favorável ao PSD que aos socialistas, por razões que adiante explicarei e que se prendem com a estabilidade de um lado e as divisões no outro.

O PSD tem a franca expectativa de manter as suas sete renovando as maiorias (nalguns casos em coligação com o CDS) em Braga, Famalicão, Vieira do Minho, Vila Verde, Celorico de Basto, Esposende e Póvoa de Lanhoso, contando para isso com a recandidatura dos actuais presidentes nas primeiras seis e apenas tendo de mudar na última dado Manuel Batista atingir o limite de mandatos.

Em condições normais manterá as sete.

E depois olha com ambição ganhadora para as do PS.

PS que se encontra profundamente dividido em quase todas as câmaras do distrito a que preside o que não deixa de ser profundamente reveladora das razões últimas que movem as suas secções onde o poder a qualquer preço parece ter tirado o discernimento, bom senso e pudor aos dirigentes socialistas.

Em Amares desde há muito tempo que PS e o presidente por ele eleito estão desavindos, o que leva inclusive a que este se vá candidatar pelo PSD praticamente assegurando para os social-democratas a reconquista de um município que já lideraram por várias vezes.

Barcelos, outrora um bastião laranja, é o retrato da mais mediática divisão socialista entre o actual presidente (e recandidato) e a secção do partido liderada pelo deputado Domingos Pereira, que se candidatará como independente.

Se o PSD fizer as coisas bem feitas e souber escolher o melhor candidato pode perfeitamente vencer.

Cabeceiras de Basto, onde o fim do longo reinado de Joaquim Barreto deixou feridas longe de cicatrizarem, assistirá pela segunda vez a eleições com duas listas socialistas: a oficial, liderada pelo actual presidente, Francisco Alves, e a oficiosa, liderada pelo ex-vice-presidente de Barreto, Jorge Machado, novamente em representação do movimento “Independentes por Cabeceiras”.

Concelho de largas maiorias PSD em eleições legislativas e europeias “exige” ao partido uma solução eleitoral que permita por fim a vinte e quatro anos de liderança do PS.

Fafe, onde o PS está no poder desde 1979, é outra câmara em que socialistas estão profundamente divididos entre o actual presidente, Raul Cunha, que depois de assegurar que não seria candidato se a concelhia caísse nas mãos de José Ribeiro (antigo presidente da câmara) deu uma enorme pirueta e é novamente candidato numa estranhíssima aliança com os “Independentes por Fafe”, a quem em 2013 derrotou por apenas 15 votos, e outra lista socialista, afecta à concelhia liderada por José Ribeiro. Isto abre ao PSD, no mínimo, a expectativa de voltar a ser o fiel da balança como foi desde 2013 até à passada semana, quando os seus vereadores entregaram os pelouros que detinham em protesto contra a deslealdade de que foram alvo pelo líder dos independentes Parcidio Sumavielle.

Mas pode ser que haja condições para ambicionar a mais que ser o fiel da balança…

Vizela, como Fafe, Cabeceiras e Barcelos também terá duas listas socialistas fruto das divisões entre Dinis Costa, actual presidente, e Vítor Hugo, seu ex vice-presidente, que concorrerá como independente ao que tudo indica.

É um município em que o PSD acalenta francas hipóteses de vencer pela primeira vez.

Terras de Bouro, o mais pequeno município do distrito em termos eleitorais, assistirá a uma recandidatura do actual presidente sem que este tenha a “sorte” de colegas seus de ter uma lista concorrente do próprio partido.

Embora ainda não anunciada, tudo indica que o PSD terá uma candidatura forte e face à pequena dimensão eleitoral tudo é possível numa câmara que os social-democratas já ganharam imensas vezes.

Resta Guimarães.

Que como Terras de Bouro também escapou, há quem diga que por pouco, a ter duas listas oriundas do PS e em que o actual presidente é recandidato depois de um primeiro mandato em que não encantou ninguém a começar pelos seus próprios apoiantes.

Mas de Guimarães falaremos mais detalhadamente noutra oportunidade.

Em suma, creio que o PSD, se fizer as coisas bem feitas (e não é difícil), pode perfeitamente ambicionar passar de sete para nove ou dez presidências.

E não é pedir muito…

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico