Mulher

Segundo a presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego a desigualdade salarial entre homens e mulheres mantém-se no nosso país. Assim sendo, a mulher teria que trabalhar 14 meses para receber o que o homem recebe em 12. 

Todos sabemos que as mulheres nos dias de hoje continuam a ser impedidas de encontrarem emprego mesmo tendo habilitações académicas de nível superior. Ainda hoje lhes é apontado o dedo quando falamos em infantários e lares, a realização profissional fez com que abdicassem de cuidar das suas crianças e dos seus velhos. Isto porque o homem continua a ter a responsabilidade de sustentar a família e a mulher continua a ser a cuidadora.

O que mudou? Estaremos apenas interessados em reflectir sobre os cargos de chefia e cargos políticos onde a mulher ainda não chega para não pensarmos nas questões reais?

Queremos realmente pensar que as mulheres que trabalham oito horas em fábricas de calçado, têxtil, nas limpezas que ganham o salário mínimo durante anos a fio. Ou que nos trabalhos precários, em que as mulheres raramente vêem os seus contratos serem renovados, abdicam de engravidar, abdicam de amamentar e as que ousam rapidamente se vêem nas filas intermináveis do desemprego.

Preferimos pensar se com um salário mínimo é possível ter mais do que um filho na creche ou na escola? Quem fica com eles quando estão doentes?

Será que queremos pensar nas mulheres que trabalham mais 5 horas do que o homem por dia, que tratam das suas crianças, da casa , das refeições, das lancheiras que são confrontadas com as diversas dificuldades nos transportes públicos, que não existem ou onde são obrigadas a deixar grande parte do seu salário.

Queremos primeiro pensar nessas mulheres que todos os dias lhe é exigido que sejam profissionais, mães, esposas e lutadoras. Nessas mulheres que procuram o sucesso profissional num lugar de topo mas em igualdade de circunstâncias são escolhidos os homens. Nessas meninas que crescem rapidamente porque dão à luz quando ainda deviam estar a descobrir os conteúdos escolares e a pensar no futuro. Nessas mulheres que trabalham 20 anos na mesma fábrica e que no fim do mês continuam a merecer o mínimo. Nas mulheres que tem medo de perder o emprego e por isso se recusam a sonhar com a maternidade. Nessas mulheres que são invadidas na sua intimidade e lhes é questionado nas entrevistas de trabalho se estão a pensar em engravidar.

Por tudo isto, e mais que não cabe nos limites de um artigo de opinião, faz sentido relembrar o dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher.

Dia 11 de Março não estarei em Guimarães, estarei na grande manifestação organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres, em Lisboa, para continuarmos a afirmar que as mulheres lutam pela real igualdade de direitos e de deveres. E tu vens?

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009 e eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.