Os jovens são o “futuro”?

“O futuro” é dos jovens, é uso dizer, porém, de “geração à rasca” rapidamente passaram para “geração nem nem”. E logo estas gerações a quem foram dadas todas as oportunidades, eles é que não as aproveitam.

No entanto, a realidade a que assistimos na maioria das nossas escolas é uma prática, cada vez mais instalada, de não se ensinar os jovens para a crítica, para a participação, para a reflexão, para as escolhas.

Gritam os adultos: “Não pegues nisso, não vês o cravo na capa? É política…”, “Menina porque gasta papel, se eles não lêem!?!”, “Não percas tempo com isso, os políticos são todos iguais!”, “À porta da escola não deviam estar a entregar essas coisas”.

Ora, se tratamos os nossos jovens como seres demasiado frágeis para lerem uma brochura que fala da Constituição da República e dos deveres e direitos no que se refere ao Ambiente, como queremos que sejam “o futuro”?

Onde estão as Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário? O que sabemos é que as nossas escolas participam no Parlamento dos Jovens, esse projecto tão interessante que incentiva os nossos estudantes à participação cívica e política, que promove o debate e a reflexão, que proporciona a experiência de participação em processos eleitorais.

Onde estão então as Associações de Estudantes das nossas escolas? Também poderiam ser muito interessantes, promover a discussão e a reflexão sobre a sua escola, sobre os projectos educativos, sobre os projectos de combate ao insucesso escolar, sobre os planos e actividades de complemento curricular e do desporto escolar.

Nos dias de hoje, o que vemos são os senhores directores a competir no Parlamento dos Jovens e por outro lado, a impedir que se fale de política livremente nas escolas. Temos uma falsa democracia em que os jovens são chamados a adquirir conteúdos, mas não são chamados a colocá-los em prática.

Hoje temos escolas que participam no Parlamento dos Jovens, onde não existem associações de estudantes, porque essa participação é dificultada, pelo Estatuto do Aluno, pelos Regulamentos, pelas atitudes. Hoje temos escolas onde se financiam visitas de figuras públicas durante as campanhas para as AE’s, mas não se permitem tertúlias e discussões entre os estudantes.

Hoje temos Câmaras Municipais que demonstram um total desinteresse pela participação juvenil, desvalorizando e burocratizando o Conselho Municipal da Juventude talvez porque lhes cause receio que os seus jovens sejam realmente parte interessada e crítica das suas opções e escolhas.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009 e eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.