Tão bonito! E este ano voltamos ao Jamor!

Na terça-feira, depois de um daqueles dias de trabalho que nos deixam mais ansiosos – às vezes quanto mais fazemos coisas, mais nos apercebemos das muitas coisas que ainda temos por fazer –, não estava nada à espera do que me ia acontecer nas duas horas seguintes depois de chegar ao local onde ia jantar e abrir a primeira cerveja.

Ainda não tinha dado o segundo gole na minha mini e o Vitória já perdia por 1-0. Calma, explicavam-me os entendidos em assuntos futebolísticos que me acompanhavam, eles cá perderam 2-0, estamos em vantagem, é uma meia-final a duas mãos.

Ora, eu confesso que sei muito pouco sobre futebol e que as duas únicas equipas que me fazem acelerar o batimento cardíaco são o Vitória e a Selecção Nacional. Sei as regras básicas – sei o que é um fora de jogo!  – mas não percebo nada de estratégias, nem de posições de jogadores (embora ontem tenham aprendido o que é um central) e muito menos de politiquices desportivas. Portanto, não sou aquilo a que se chama uma apaixonada pelo jogo.

Mas na terça-feira… terça-feira durante aquelas duas horas vi-me a ficar completamente desesperançada e a ver o objetivo de voltar ao Jamor fugir-nos das mãos e com aquela sensação que está ali tão perto. No final no terceiro golo do Chaves, estava a preparar-me para atirar a toalha ao chão, quando Marega volta a pôr tudo no sítio certo! GOLO! Estava feito o 3-1, o jogo estava perdido mas a meia-final estava ganha – coisas difíceis explicar pelas leis matemáticas, mas absolutamente seguras pelas leis da bola!  Estávamos no Jamor e o jogo estava a acabar e estava já pronta a fest… PENÁLTI CONTRA NÓS! NÃO! Aos 89 minutos?! E não é que defendemos?

É difícil explicar o que se vive em Guimarães e o que se vive no Vitória. Para mim não há diferença. Eu sou de Guimarães, logo sou do Vitória. É bonito haver uma pequena cidade do Norte em cuja grande maioria habitantes não apoia clubes “grandes”. É bonito um pequeno clube de uma pequena cidade sobreviver à tirania dos três “grandes”. O amor dos vitorianos ao clube não vem das sucessivas vitórias dos campeonatos ou das taças. Ou do Vitória estar sempre a ser capa dos jornais desportivos e de ter direito a 10 minutos em qualquer telejornal. Não vem do dinheiro que o clube tem para grandes contratações, nem do seu mediatismo. É algo mais sério, sincero e profundo como todo o amor deveria ser.

Tão bonito! E este ano voltamos ao Jamor!

Luísa Alvão, 32 anos, licenciada em Cinema, pela Universidade da Beira Interior e pós-graduada em Mediação Cultural – Estudos Comparados do Cinema e da Literatura pela Universidade do Minho. Gosta de contar histórias. Trabalha em cinema, como produtora no FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, em Espinho, e como programadora do Shortcutz Guimarães.