Bragança é futuro, Coelho Lima é passado

Esta é a minha primeira crónica para o Duas Caras e, como tal, não podia deixar de começar a mesma sem agradecer o convite que me foi dirigido. No momento de lançamento do projeto tive oportunidade de saudar o aparecimento deste meio de comunicação e realçar a sua importância para a qualidade da democracia vimaranense. Hoje, certo dessa importância, renovo o desejo de sucesso à Catarina Castro Abreu e ao Duas Caras.

Os últimos dias da política vimaranense são marcados pela discussão de duas propostas. Uma do PS e outra da coligação PSD/CDS. Ambas as propostas são da área da mobilidade e mostram bem a diferença de pensamento e de modernidade dos seus protagonistas.

Domingos Bragança trará a Guimarães um membro do Governo para discutir mobilidade e apresentar-lhe-á a sua ideia de um Tramway para a ligação de um eixo estruturante para o concelho, enquanto lança bases para a mobilidade sustentável de toda a região. Uma visão moderna assente num pensamento estruturado do concelho enquanto membro de uma grande região. Modernidade.

André Coelho Lima apresentou dois parques de estacionamento para o centro da cidade com pedonalização total de grande parte das suas vias, reacendendo um debate sobre uma visão que os vimaranenses rejeitaram. Passado.

A proposta da coligação de direita tem 4 supostos objetivos: garantir conforto no acesso ao centro da Cidade, assegurar a progressiva pedonalização do centro, revitalizar o comércio e fixar população no Centro Histórico.

Na minha opinião falha os 3 dos 4 objetivos, sem atingir outros essenciais que Guimarães tem que continuar a perseguir.

É verdade que pedonaliza o centro, mas fá-lo construindo um parque com o qual falha os restantes 3. E fá-lo para resolver um problema que dificilmente comprovará que existe: a falta de estacionamento na cidade.

Desde logo não garante o conforto no acesso ao centro da cidade. Pelo contrário. Deixa as pessoas estacionadas no subsolo, mantendo a circulação de trânsito virada para as mesmas artérias em que hoje se sente excesso de trânsito. Não retira o trânsito, apenas estimula que o mesmo se desloque até aos mesmos pontos de constrangimento atuais.

A revitalização e fixação de gente no centro histórico não é garantida pela retirada do trânsito em todo o centro da cidade. Antes pelo contrário. Pedonalizar, ou tornar um espaço público um extremo, tira linearidade aos percursos pedonais, cicláveis e dos transportes públicos, o que diminui a sua atratividade, a sua comodidade e, consequentemente, a sua procura.

Esta proposta promove, isso sim, a desertificação do centro. Ao mesmo tempo que não estimula a que quem, vindo fora da cidade, o pretenda visitar. As filas são as mesmas. O interesse é menor.

Afasta as bicicletas e outros meios de transporte alternativos do centro. Retira a possibilidade de transitar em transportes públicos para o centro da cidade. Ou seja, quem venha de fora do centro terá mesmo que vir de carro e estacionar no parque. Resultado final: mais transporte individual e ocupação do espaço público com meios de transporte poluentes.

Já agora uma dúvida final: qual seria o modelo de gestão dos dois parques criados?

PSD e CDS querem um postal bonito no centro da cidade. Eu quero uma Cidade vivida.

Domingos Bragança quer mobilidade sustentável e em rede. André Coelho Lima quer os carros até à porta de casa. Domingos Bragança quer redes cicláveis, André Coelho Lima não quer bicicletas no centro.

Domingos Bragança é futuro, André Coelho Lima é passado.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projeto numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.