Já não é só descentralizar eventos, nova iniciativa pretende descentralizar produção cultural

Foi apresentada esta manhã, 10, o projeto Oficina Excêntrica, que pretende levar à população de cinco freguesias vimaranenses cursos e oficinas de formação artística informal. Briteiros, Pevidém, Ponte, S. Torcato e Taipas vão receber esta iniciativa que contará com horários diurnos e pós-laboral. As inscrições começam amanhã, 11. O programa de oficinas a decorrer em cinco do concelho tem como tema “Da Plasticidade dos materiais ao corpo plástico”.

O programa ExcentriCidade percorreu o território vimaranense nos últimos três anos com uma série de eventos. Começou em cinco freguesias e está agora em nove: Caldelas, Moreira de Cónegos, Ronfe, S. Torcato, União de Freguesias (UF) de Briteiros S. Salvador e Briteiros Sta. Leocádia, S. Jorge de Selho, Ponte, Aldão, UF de Atães e Rendufe. Com a Oficina Excêntrica, pretende dedicar-se também à produção cultural. Cristina Cunha, atriz vimaranense responsável pelo projeto, resumiu: “O objetivo não é ir a palco mas percorrer o processo de experimentação com as pessoas”.

Já João Pedro Vaz, diretor do Teatro Oficina, disse que “mais do que a apresentação do espetáculo, o objetivo é apostar na parte formativa”. “O Teatro Oficina tem a responsabilidade de irradiar o seu trabalho para a prática local. É um projeto com duração e periodicidade e não um evento fugaz”, destacou, sublinhando que não se trata de uma iniciativa “direcionada apenas para atores mas para todas as pessoas que gostariam de explorar as várias áreas das artes performativas”.

Não é a primeira vez que João Pedro Vaz fala da descentralização da produção cultural. Fê-lo aquando da apresentação da programação do Teatro Oficina para o ano de 2017. Por isso, para a Oficina Excêntrica foram chamados os grupos de teatro de amadores que desenvolvem a sua actividade nas freguesias.

José Bastos, vereador da Cultura, vincou que, apesar de ser um projeto com identidade própria, integra um “puzzle” com outras peças completando um “todo” que é a política cultural da autarquia, nomeadamente através das Atividades de Enriquecimento Curricular – neste momento há mais de dois mil alunos que têm contacto com as artes performativas – as Oficinas do Teatro Oficina (OTO’s) e o programa ExcentriCidade.

No que considera ser “um processo de democracia cultural”, o vereador evidencia o investimento que está a ser feito em cinco infra-estruturas culturais do concelho – Ronfe, Moreira de Cónegos, Taipas, S. Torcato e Briteiros – para dotá-las das condições necessárias para a realização de espectáculos. “Estas infra-estruturas estão a ser equipadas com sistemas de som e de luz e há pessoas que estão a receber formação técnica para terem eventos com maior regularidade do que apenas uma vez por mês”, disse.

O responsável pela área da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães perspectivou ainda que a Oficina Excêntrica “pode e deve continuar no tempo” mas que é um programa que tem que ser gerido com “juízo” na medida em que não se pode ser levados às 48 freguesias, pois, afirma “isso contraria a ideia de coesão territorial que estamos a propor”.