Desorientação

O PS de Guimarães anda mesmo desorientado.

E é pena porque mesmo em fim de ciclo seria de esperar que quem governou Guimarães durante vinte oito anos, umas vezes bem e outras vezes mal, conseguisse manter uma compostura para o exterior que lhe evitasse esta imagem de permanente desorientação, que não lhe fica nada bem.

Os exemplos são vários e por mais que os socialistas os tentem negar, ou os seus “pontas de lança” na área da comunicação social tentem virar o bico ao prego passando para a oposição “estados de alma” com os quais esta nada tem a ver, a verdade é que é mesmo no PS que reina a desorientação.

Referirei apenas exemplos que são públicos e comprováveis deixando de lado aquilo que se vai sabendo com cada vez maior frequência, e de cada vez mais fontes de informação, mas que ainda não são demonstráveis, digamos assim.

Comecemos por um célebre, mas não por fabulosas razões, almoço do PS realizado largas semanas atrás e em que o presidente de câmara mais não arranjou para anunciar aos comensais do que o arrebanhamento de umas “folhas caídas” da coligação e que nas próximas eleições concorrerão pelo PS.

De um presidente candidato esperava-se mais.

Propostas para o programa eleitoral, ideias para o concelho, projectos para a região no âmbito do quadrilátero urbano.

Esperava-se.
Mas apenas tinha para anunciar duas “folhas caídas” sendo que a queda de uma delas lhe está a causar mais problemas do que alguma vez supôs.

Ah…esquecia-me que também anunciou que no dia 25 de Abril o PS anunciaria todos os candidatos às juntas de freguesia mas aquilo a que temos assistido é precisamente o contrário com anúncios semanais de candidatos e, nalguns casos, com a rábula do desmentido antes da confirmação.

Desorientação!

A seguir veio o “número gago” dos primeiros cartazes da coligação.

Os tais em que apenas constava o nome do candidato.

O que os socialistas disseram nas redes sociais sobre esses cartazes.

Se eram de um candidato ou de uma coligação? Se o candidato ia concorrer sozinho? Se a coligação não tinha mais candidatos? Se não havia ideias para colocar nos cartazes? E mais algumas aleivosias próprias de quem está desorientado.

Há, contudo, uma coisa que não disseram e aí honra lhes seja feita por serem absolutamente verdadeiros e justos; não disseram que os cartazes continham erros ortográficos!

E eis que chegam os cartazes do PS.

Nos quais, para grande surpresa de quem ainda consiga admirar-se, lá constava num canto o nome do candidato e de mais ninguém, ou seja, exactamente o mesmo que tanto tinham criticado nos primeiros cartazes da coligação “Juntos por Guimarães”.

Desorientação em crescendo.

Bem comprovável, até no facto de os cartazes conterem erros ortográficos, o que num partido que enche a boca com a cultura e até se ufana, justamente, de Guimarães ter sido capital europeia da cultura é simplesmente anedótico e prova final, se ainda necessária, da desorientação que grassa nas hostes socialistas.

Quanto às mensagens dos cartazes (tinham que escrever alguma coisa não é?) essas são realmente um caso de estudo.

Desde o cartaz que anuncia “Guimarães na vanguarda do carregamento rápido de veículos eléctricos em Portugal” anúncio que tem provocado incontáveis manifestações de júbilo por todo o concelho ao que se supõe, passando pelo “Guimarães cresceu 10% em 2016” ficando por explicar se em altura, largura ou comprimento, continuando pelo “Guimarães reforçou o investimento nas escolas do concelho” o que nos faz sentir a todos agradecidos pela correcta orientação estratégica e geográfica da Câmara que conseguiu investir nas nossas escolas e não nas de concelhos vizinhos e terminando no meu preferido que é “Investimento em todas as freguesias”!

Este acho-o fabuloso.

Porque se todas as freguesias fazem parte do concelho é normal que tenha investido nelas todas.

Percebendo-se até a mensagem subliminar, mas que está lá, que a Câmara até fez o enorme favor de investir nas freguesias lideradas pela coligação (Daí o “Todas”) o que mostra o quão democratas querem afirmar-se.

Claro que o cartaz não diz, até porque seria atrevimento a mais mesmo para o PS de Guimarães, que o investimento em “todas” as freguesias foi feito de forma tão equitativa quanto possível, levando em conta as reais necessidades de cada uma e tratando-as a todas por igual.

São os cartazes da desorientação total.

Até ao dia em que os nomes a serem revelados pela candidatura socialista tenham de ser outros que não os de candidatos a presidentes de junta.

Porque desconfio que nesse dia, e nos seguintes, a desorientação que vai andar pelo PS fará parecer a de agora uma primeira brincadeira dos meninos…

 

Luís Cirilo Carvalho, 57 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico