Liderar pelo exemplo sem hesitações

Guimarães ganhou o seu lugar por direito próprio no panorama cultural nacional. O caminho de que já fui falando em artigos e intervenções anteriores, da afirmação por via da criação, acredito que será o passo que falta para a projeção europeia se consolidar.

O “boom” de 2012 foi importante para a alteração do paradigma vimaranense e para a definição da Marca Guimarães Cultura. Mas os tempos que se lhe seguiram foram cruciais para que a memória e marca daquele ano não se perdessem.

Este é uma aposta que não começou em 2012. Não se encerrou em 2012, nem se pode encerrar em 2017.

Soubemos há dias que Braga é candidata a capital europeia da cultura em 2027. Para o mesmo ano, e seguindo a rotatividade entre países, perfila-se também a candidatura de Leiria e Faro. Sem comentar as reais possibilidades de sucesso de cada uma destas candidaturas, saúda-se naturalmente o aparecimento deste tipo de intenção.

Saúde-se porque desta intenção, se pressupõe que haja um caminho a percorrer nos próximos 10 anos por cada uma daquelas cidades e regiões. Caminho esse que, de forma natural, poderá beber da experiência das três capitais portuguesas que lhes precederam: Lisboa, Porto e Guimarães.

Tendo em consideração a dimensão das cidades de que estamos a falar, é mais do que natural que o caso de Guimarães (para além dos elogios que mereceu a CEC 2012) sirva como exemplo.

Se é verdade que Guimarães pode liderar pelo exemplo, o nosso concelho pode, também, beneficiar do efeito de contágio de qualquer uma das novas Capitais a que caberá a distinção dentro de 10 anos. As redes de programação, a criação de públicos num espectro mais alargado, a sinergia de forças entre cidades de pequena-média dimensão na colocação de Portugal na rede europeia, são alguns bons motivos para sorrir com estas notícias.

Se pode ser benéfico para Guimarães, eleva também o patamar de exigência à nossa cidade.

O caminho a percorrer nos próximos 10 anos terá que ser de tal forma distintivo, que nos coloque no patamar de Lisboa e Porto, perante novas capitais. Não por provincianismo bacoco, de comparação e competição, mas porque 15 anos de diferença entre distinções, e mais duas décadas de historial de apoio consistente nesta área, deverão ser fator determinante na valorização deste concelho.

Por esse motivo, este é um momento absolutamente decisivo. De não dar nem um passo atrás na determinação que nos trouxe até aqui. De acreditar no caminho seguido e lançar as bases para o sucesso da aposta escolhida. Um caminho a curto, médio e longo prazo. De criar laços com Leiria, Braga e Faro. De reforçar laços com Lisboa e Porto. De dar as mãos às ex e futuras capitais europeias da cultura.

Aconteça o que acontecer daqui até 2027, teremos que saber estar sem hesitações na persecução do caminho que temos vindo a trilhar. Independentemente de quais as futuras capitais ou novos pólos culturais vimaranenses. Uma aposta convicta e determinada.

Porque esta não é uma aposta apenas com reflexo no território nacional. Ficamos também a saber nos últimos dias que a Comissão Europeia irá propor formalmente ao Conselho e ao Parlamento Europeus que o ano de 2018 seja o Ano Europeu do Património Cultural.

Um desígnio europeu, onde Guimarães tem também uma palavra a dizer. Pela sua importância histórica para Portugal e para a Europa, e pelas suas opções políticas ao longo dos últimos 30 anos.

Escolhemos preservar o património cultural, quando outros o esqueceram. Encorajamos vimaranenses a conhecerem outras culturas, e outras gentes a conhecerem a cultura vimaranense.

Estivemos certos no tempo certo. Com determinação e sem hesitações.

Que 2017 seja mais um passo na direção certa.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projetos numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.